Moisés volta ao Egito · Êxodo 4:18–5:23

A Biblia · Temporada 2 · Episódio 4 de 23 — em ordem cronológica

Você faz a coisa certa, obedece, encara o medo. E a vida das pessoas que você queria salvar piora.

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Transcrição

Um homem faz tudo o que Deus pediu, obedece, encara o medo, vai, messam o medo. E o resultado é que a vida das pessoas que Ele queria salvar fica pior. Messam o medo, messam o medo. Lá no deserto, diante de um arbusto pegando fogo, Deus chamou Ele para uma missão enorme, voltar para o Egito e tirar o povo de Israel da escravidão. Moisés deu mil desculpas, mas no fim aceitou. Agora a história continua exatamente nesse ponto. Moisés precisa fazer a coisa mais difícil. Ir, primeiro Ele volta para casa do Sogro, onde estava morando, e pede licença. Diz, deixa eu voltar para o Egito, ver se os meus parentes ainda estão vivos.

E o Sogro abençoa Ele, vai em paz. E Deus avisa Moisés de uma coisa importante. Pode ir tranquilo, porque todos os homens que queriam te matar já morreram. Aquela ameaça antiga, do tempo em que Ele fugiu, tinha passado. Então Moisés coloca a esposa e os filhos em cima de um jumento, pega o cajado de pastor na mão, aquele mesmo cajado dos sinais, e volta para o Egito. No caminho, ele encontra o irmão, o arão. Lembra que Deus tinha dito que o arão ia ser a voz dele, já que Moisés gaguejava. Pois é, Deus tinha mandado o arão ir ao encontro do irmão no deserto. Os dois se reencontram, depois de 40 anos, longe um do outro.

O texto diz que eles se encontram no monte de Deus e que o arão beija o irmão, 40 anos separados. Um virou pastor no deserto, o outro continuou com o povo no Egito. E ali, naquele monte, eles se abraçam de novo. E Moisés conta tudo para o arão, tudo o que Deus falou, todos os sinais. Nezam o medo, e os dois seguem juntos para o Egito. Chegando lá, eles fazem a primeira coisa, reúnem os líderes do povo de Israel. E o arão fala tudo o que Deus disse a Moisés, e Moisés faz os sinais na frente de todos. O cajado que vira cobra, a mão que fica doente e sara, e o povo acredita. Nezam o medo, o texto diz uma coisa linda, diz que quando o povo ouviu que Deus tinha olhado para eles, que tinha visto o sofrimento deles, eles se curvaram e adoraram.

Nezam o medo, imagina o que é isso, um povo escravizado há séculos, que achava que ninguém via a dor deles, e de repente vem a notícia, Deus viu, Deus ouviu, Deus vai agir, a esperança volta. Pela primeira vez em muito tempo, eles têm esperança. Nezam o medo, mas aí vem a parte difícil. Moisés e o arão vão até o faraó, o rei do Egito, o homem mais poderoso do mundo conhecido. E eles dizem, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, deixa o meu povo ir, para que eles me adorem no deserto. E o faraó dá uma resposta gelada. Ele diz, quem é esse Senhor, para que eu obedeça a Ele e deixe Israel ir? Eu não conheço esse Senhor, e não vou deixar o povo ir.

Para Ele, o Deus dos escravos não era nada, Ele só conhecia o poder Dele mesmo. E o faraó faz pior, Ele se irrita, acha que aquele papo de ir adorar Deus no deserto é só desculpa para fugir do trabalho, e Ele decide castigar o povo. Olha o que Ele faz. Naquele tempo, os escravos faziam tijolos de barro, e para fazer tijolo, eles usavam palha misturada no barro para dar liga, e até então os egípcios forneciam a palha para eles. O faraó dá uma ordem cruel. A partir de agora, não deem mais palha para eles, que eles mesmos saiam para catar palha pelo campo, mas a quantidade de tijolos tem que continuar a mesma, nenhum a menos.

Nezam o medo, pensa no peso disso. Antes, eles já trabalhavam até não aguentar. Agora tem que fazer o mesmo tanto de tijolo, mas perdendo um tempão catando a própria palha espalhada pelo campo. Nezam o medo, é impossível, não tem como dar conta, é uma crueldade calculada, dar uma tarefa que ninguém consegue cumprir, só para ter desculpa de castigar. O povo se espalha pelo Egito inteiro catando restos de palha no campo, correndo, desesperado, e ainda assim os tijolos não saem na conta. Nezam o medo, e quando o povo não consegue cumprir a cota, os capatazes egípcios começam a bater nos chefes israelitas, espancam eles, e gritam "Por que vocês não entregaram a quantidade de tijolos de ontem, nem de hoje?" Os líderes do povo vão chorar para o faraó, dizem "Por que você trata os seus servos assim?" Não nos dá um palha, mas mandam fazer tijolo, e ainda apanhamos.

A culpa é do seu próprio povo, e o faraó só responde "Vocês são preguiçosos, preguiçosos, é por isso que ficam pedindo para ir adorar esse tal de Senhor. Voltem ao trabalho, não vão ganhar palha", e a cota de tijolos continua mesma, e aí o sonho do povo desaba. Nezam o medo, os líderes israelitas saem de lá arrasados, e encontram moisés e arão esperando, e olhe o que eles dizem para os dois. Eles dizem, com raiva e dor, que o Senhor olhe para vocês e julgue, porque vocês fizeram a gente cheirar mal aos olhos do faraó, vocês colocaram uma espada na mão dele para ele matar a gente, quer dizer, a culpa é de vocês.

Antes de vocês chegarem com essa história de libertação, a gente já sofria, mas pelo menos tinha palha. Agora ficou tudo pior, e olhe o que o próprio moisés faz, no fim do capítulo. Nezam o medo capítulo, ele se vira para Deus, e reclama "De verdade", ele diz "Senhor, por que você trata mal esse povo? Por que você me mandou aqui? Desde que eu fui falar com o faraó em teu nome, ele só fez piorar a vida do povo, e você não livrou ninguém, não fez nada para nessa cena". Esse é o herói da história, o homem escolhido por Deus, e ele está confuso, machucado, reclamando na cara de Deus, eu obedeci, e tudo piorou.

Cadê a libertação que você prometeu? Nezam o medo, e é aí nesse momento de fracasso total que o capítulo para, eu fico pensando muito nesse pedaço da história, porque ele quebra uma ideia que a gente carrega sem perceber, a ideia de que quando você faz a coisa certa, as coisas melhoram logo, de que obedecer, fazer o que é bom, e escolher o caminho difícil, isso devia dar resultado rápido. E aqui acontece o contrário, Moisés faz exatamente o que foi pedido, e o primeiro resultado visível é piora, o povo sofre mais, todo mundo culpa ele, até a esperança que tinha nascido desabar, mas tem uma coisa escondida aqui, que só dá para ver olhando a história inteira, esse não era o fim, era o começo, às vezes, antes de uma coisa grande mudar, ela parece que vai desmoronar primeiro, o primeiro passo não foi o fracasso, foi só o primeiro passo, num caminho que ainda era longo, Moisés achou que tinha acabado em derrota, não tinha, Deus estava só começando a agir, aqui vai uma coisa para hoje, nessa uma vez em que você fez a coisa certa, deu o passo difícil, tomou a decisão corajosa e no começo tudo só pareceu piorar, as pessoas reclamaram, o resultado não veio, bateu aquela vontade de dizer, viu eu não devia ter tentado, e hoje, se você está bem nesse meio naquele ponto em que fez o certo e ainda não veio nada de bom, segura mais um pouco antes de concluir que deu tudo errado, porque o meio de uma história nunca é o lugar certo para julgar o fim dela, nesse medo, e ainda bem que a história não parou ali, o melhor ainda nem tinha começado.