Um homem acabou de dizer para Deus, "Na cara, eu obedeci você, e tudo piorou. Por que você não fez nada? E a resposta de Deus não é uma bronca, não é um castigo, é uma promessa. Uma das maiores promessas da Bíblia inteira. Deixa eu te contar. Lembra de onde a gente parou. O Moisés tinha ido até o Faraó, do jeito que Deus pediu e pedido para libertar o povo de Israel. E o Faraó, com raiva, só apertou ainda mais a escravidão. Os tijolos, a palha, as surras, e o povo culpou o Moisés. E o Moisés, machucado, se virou para Deus e reclamou. Por que você trata mal esse povo? Por que me mandou? Você não livrou ninguém.
E é exatamente aí que Deus responde. E olha como ele responde. Ele não fica bravo com a reclamação do Moisés. Ele vira aquele momento de fraqueza num dos discursos mais bonitos da história. Deus diz, agora você vai ver o que eu vou fazer com o Faraó. Por minha mão forte, ele vai deixar o povo ir. E não só deixar ir, ele mesmo vai expulsar todos eles da terra dele. E aí Deus faz uma coisa importante. Ele se apresenta de novo. Ele diz, eu sou o Senhor. Eu apareci para o Abraão, para o Isaac, para o Jacó, para nesses nomes. Abraão, Isaac, Jacó, são os patriarcas, os antepassados.
Lá no comecinho de tudo, séculos atrás, Deus prometeu para eles uma terra e um povo grande. E agora, com o povo escravizado e sofrendo, Deus diz, eu lembro. Aquela promessa antiga continua de pé e vem a frase que é o coração de tudo. Deus diz, eu ouvi o gemido dos israelitas, que os egípcios escravizam. E eu me lembrei da minha aliança. Eu lembrei. Aquele povo achava que tinha sido esquecido por gerações. E Deus diz, eu não esqueci nada. E então, ele faz uma sequência de promessas. E é lindo, porque cada uma começa com eu, como uma corrente que não arrebenta. Ele diz, eu vou tirar vocês de debaixo do peso do Egito.
Eu vou livrar vocês da escravidão. Eu vou resgatar vocês com o braço forte. Eu vou tomar vocês como meu povo. E eu serei o Deus de vocês. E eu vou levar vocês para aquela terra que prometi dar para o Abraão, para o Isaac, para o Jacó. E vou dar essa terra a vocês. Repara, eu tiro, eu livro, eu resgato, eu tomo como meu povo, eu levo. Não tem nenhum se vocês conseguirem. Não tem nenhum se vocês merecerem. É tudo Deus dizendo, eu faço. E tem uma frase no meio dessas promessas que é a mais importante de todas. Quando Deus diz, eu vou tomar vocês como meu povo. E eu serei o Deus de vocês.
Pensa no tamanho disso. Eram escravos. Eram ninguém aos olhos do Egito. Gente que fazia tijolo e apanhava. E Deus diz, vocês vão ser o meu povo. Eu vou ser o Deus de vocês. É como alguém olhar para a pessoa mais esquecida do mundo e dizer, você é meu. Eu fico com você. Essa frase vai voltar à Bíblia inteira. É o coração de tudo. E Deus manda Moisés ir contar tudo isso para o povo, levar essa esperança de novo. Mas aí acontece uma coisa muito triste e muito humana. Moisés vai contar tudo para o povo. As promessas, a libertação, a terra e o povo não dá ouvidos. O texto diz por quê.
Diz que eles não escutaram Moisés por causa do desânimo e por causa da escravidão pesada. Pensa nisso. A dor era tão grande que eles nem conseguiam mais acreditar em coisa boa. O sofrimento tinha endurecido o coração deles. Tínham ouvido a esperança uma vez. Ela desabou. E agora eles não tinham mais força nem para esperar de novo. Às vezes a pessoa sofre tanto que nem consegue receber uma promessa boa. É assim que estava o povo. Não é que eles fossem burros ou ingratos. É que eles já tinham levantado a cabeça uma vez. Ouvido a esperança e visto tudo desabar quando o faraó apertou ainda mais.
Quando você se anima e leva um tombo, da segunda vez você nem se anima mais. É o coração se protegendo da decepção. E era exatamente isso. E aí Deus fala de novo com Moisés. Diz vai falar com o faraó. Manda ele deixar o povo sair. E Moisés, que já era inseguro, agora tem um argumento e tanto. Ele diz senhor, se nem o meu próprio povo me ouviu, como é que o faraó vai me ouvir? Ainda mais eu, que sou ruim de falar. Que tenho lábios pesados, que gaguejo. É a velha insegurança do Moisés voltando. Ele se sente fraco, sem jeito para a palavra, pequeno demais para a missão. E o capítulo, no meio dele, faz uma coisa que parece estranha.
Ele para a história e lista as famílias. Quem era filho de quem? Dentro do povo de Israel. Uma genealogia. Como uma pausa para dizer quem eram. Exatamente, o Moisés e o Arão. E de que família eles vinham. É um jeito de o texto dizer, olha, esses dois homens são reais. Tem nome, tem família, tem raiz. Não são lendas. São gente de verdade, com pai, com mãe, com irmãos. E o texto faz questão de mostrar de qual tribo eles vêm. A tribo de Levi, uma das doze, como quem aponta no álbum de família e diz, é daqui que sai o homem que vai libertar o povo, de uma família comum, de escravos, igual as outras.
E depois dessa pausa, a história volta. E Deus repete a missão. Diz, eu sou o Senhor. Fala para o faraó tudo o que eu te disser. E Moisés, mais uma vez, repete o medo dele, mas eu sou pesado de boca. Como o faraó vai me ouvir. E é aí que o capítulo para, com Deus firme na promessa. E o Moisés ainda tremendo, ainda inseguro, mas dessa vez indo a si mesmo, eu fico pensando muito nesse pedaço. Porque tem duas coisas acontecendo aqui ao mesmo tempo, e as duas são muito humanas. A primeira é o povo, tão machucado que nem conseguia mais acreditar numa boa notícia. A escravidão não tinha quebrado só o corpo deles, tinha quebrado a esperança.
E isso é uma coisa que a dor faz de verdade com a gente. Chega um ponto em que a pessoa para de acreditar que pode melhorar. Não porque é fraca, mas porque já se machucou demais. E a segunda é o Moisés, repetindo a mesma insegurança. De novo e de novo. Eu não sei falar. Eu sou pequeno. Ninguém vai me ouvir. E no meio dos dois, do povo sem esperança e do líder sem confiança. Tem Deus, repetindo, com paciência a mesma coisa. Eu sou o Senhor. Eu lembro, eu vou fazer. A promessa não dependia da fé do povo estar forte. Nem da coragem do Moisés estar pronta. Ela dependia de quem prometeu.
Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa numa promessa boa que você ouviu e que não conseguiu acreditar. Talvez alguém tenha dito que as coisas iam melhorar e você, cansado demais, só pensou. Não dá mais para acreditar nisso. E hoje repara numa coisa. Às vezes a gente não acredita numa coisa boa não porque ela é mentira, mas porque a gente está esgotado demais para recebê-la. O desânimo fecha a porta antes da esperança entrar. Você não precisa forçar uma fé enorme. O povo de Israel não tinha. E a promessa continuou de pé do mesmo jeito, esperando por eles. Às vezes, no fundo do cansaço, a coisa mais corajosa é só deixar uma festa aberta.
Caso a notícia boa seja verdadeira, afinal.