A aliança de Deus com Davi · 2 Samuel 7:1–29

A Biblia · Temporada 6 · Episódio 4 de 9 — em ordem cronológica

Você queria dar um presente a Deus. Ele não só recusou, como te deu um legado que atravessa séculos.

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Transcrição

Você quer fazer uma coisa boa pra alguém? Uma coisa grande, generosa? Você se prepara? Se anima? E essa pessoa te responde? Não. Não precisa. Na verdade, sou eu que vou fazer uma coisa por você. Uma coisa muito maior do que você imaginava fazer por mim. É exatamente isso que acontece nessa história. O Davi quer dar um presente a Deus. E Deus vira o jogo. E dá ao Davi um presente que atravessa séculos. Deixa eu te contar. O Davi agora estava bem. Era rei de Israel inteiro, lembra? Morava num palácio bonito, feito de uma madeira nobre chamada Cedro. Tinha paz, finalmente. Os inimigos em volta estavam quietos.

Depois de tantos anos fugindo e lutando, o homem tinha sossego. E num momento desses o Davi olhou em volta e ficou incomodado com uma coisa. Ele chamou um profeta, um homem chamado Natan. Profeta era alguém que falava em nome de Deus, que trazia a palavra de o povo. E o Davi falou para o Natan uma coisa que estava pesando no coração dele. Ele disse, olha a situação. Eu moro numa casa linda, de Cedro. E a Arca de Deus, aquela caixa sagrada, lembra do episódio passado? Mora numa tenda, numa barraca. Eu, num palácio. E Deus, numa barraca de pano. E o que o Davi estava querendo dizer, sem dizer com todas as letras, era eu construir uma casa para Deus.

Um templo. Um lugar de verdade. De pedra. A altura. Em vez dessa tenda. Bonita intenção. Generosa. O Natan, de primeira, achou ótimo. Diz-se, vai. Faz o que está no seu coração. Deus está com você. Mas naquela mesma noite, Deus falou com o Natan. E mandou uma mensagem para o Davi. E é uma mensagem surpreendente. Deus diz, mais ou menos assim, Davi, você quer me construir uma casa? Espera aí, desde que eu tirei o povo do Egito, eu nunca morei numa casa de pedra. Eu sempre andei com o povo numa tenda, para onde eles iam. Eu nunca reclamei disso. Nunca pediu um palácio para mim. E aí vem a virada.

Deus continua. Você não vai construir uma casa para mim. Sou eu que vou construir uma casa para você. Mas presta atenção no palavras. Porque a palavra casa, aqui, tem dois sentidos. O Davi estava falando de uma casa de pedra, um prédio, um templo. E Deus estava falando de outra coisa. De uma casa no sentido de família, de descendência, de linhagem, os filhos, os netos, os bisnetos. A continuação do Davi através do tempo. Então Deus diz para o Davi uma coisa que é quase grande demais para entender. Ele faz uma série de promessas. Primeira, eu te tirei do campo, de cuidar de ovelhas e te fiz rei.

Eu estive com você o tempo todo. Eu acabei com os seus inimigos. Eu fiz o seu nome grande. Segunda, o seu povo, Israel, vai ter um lugar para morar em paz, sem ser mais arrancado de um lado para o outro. E terceira, a maior de todas, quando você morrer, eu vou levantar um filho seu. E vai ser esse filho e não ele, quem vai construir a casa de pedra, o templo e mais. O trono da sua família vai durar. Vai durar para sempre. Deus diz, com essas palavras, a sua casa e o seu reino vão permanecer para sempre diante de mim. O seu trono vai ser firme para sempre. Para e pensa no tamanho disso. O Davi, que começou como um menino pastor, o mais novo de oito irmãos, o último que alguém escolheria.

Esse menino agora abre a promessa de que a família dele vai durar para sempre, que o reino dele não vai acabar. E para quem conhece o resto da história da Bíblia, essa promessa vai longe, muito longe, porque é dessa família da linhagem do Davi, que séculos depois ia nascer Jesus. Quando você ouve lá no Novo Testamento, alguém chamar Jesus de filho de Davi é dessa promessa que estão falando. Dessa noite, dessa promessa e como Davi reage a tudo isso. Ele não fica se achando. Pelo contrário, ele entra na tenda, se senta diante de Deus e faz uma das orações mais humildes da Bíblia inteira.

Ele diz, mais ou menos, quem sou eu, Senhor. E o que é a minha família para você ter me trazido até aqui? Eu já achava que isso era muito. E agora você ainda fala do futuro, de séculos a frente. O homem que ia dar a gente agora se ajoelha, sem palavras, recebendo um presente que ele nunca poderia retribuir. Eu fico pensando muito nessa história e o que me pega é essa inversão. O Davi queria fazer algo por Deus e descobriu que tudo de bom na vida dele já tinha vindo de Deus. O fato de ele ser rei, de ter um palácio, de ter paz, nada daquilo ele tinha conquistado sozinho. Ele recebeu e quando ele realmente quis dar algo de volta, ou viu, você não entendeu ainda.

Não é você que dá, é você que recebe e tem uma humildade enorme em aceitar isso, porque é mais fácil às vezes ser quem dá do que ser quem recebe. Quando a gente dá, a gente fica numa posição confortável. De quem pode, de quem tem, de quem ajuda, receber é mais difícil. Receber exige reconhecer que você recebeu, que não foi tudo mérito seu, que alguém ou algo cuidou de você sem que você pudesse pagar de volta. E o Davi, esse rei poderoso, soube receber. Sentou e disse, quem sou eu para merecer isso? Eu acho que isso fala com a gente, porque a gente passa a vida tentando merecer as coisas, tentando provar, conquistar, retribuir e às vezes esquece de simplesmente parar e reconhecer o tanto que já chegou na nossa vida sem a gente ter feito por onde.

Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa na sua vida agora. E em vez de olhar para o que falta ou para o que você ainda precisa conquistar, faz o contrário, olha para trás. E reparem uma coisa boa que veio até você sem que você tenha planejado, merecido ou trabalhado por ela. Uma pessoa que apareceu na sua vida, uma oportunidade que caiu, um talento que você simplesmente nasceu tendo, um amor que você não comprou e só por ele. Em vez de pensar em como retribuir, em como pagar de volta, faz só uma coisa mais simples. Reconhece. Diz, nem que seja baixinho, igual o Davi, quem sou eu para ter recebido isso, porque tem uma paz estranha em descobrir que nem tudo de bom na sua vida você teve que conquistar com unhas e dentes.

Que parte simplesmente foi dada. E que talvez o seu papel hoje não seja seja só receber de mãos abertas e agradecer.