Saul é ungido primeiro rei de Israel · 1 Samuel 9:1–10:27

A Biblia · Temporada 5 · Episódio 8 de 14 — em ordem cronológica

Você pensa que grandes destinos nascem de grandes missões? O primeiro rei de Israel foi encontrado enquanto procurava por umas jumentas que fugiram.

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Transcrição

Um rapaz sai de casa para procurar umas jumentas que fugiram. Uns burros que sumiram do pai dele. Ele não acha as jumentas. Mas no meio dessa busca boba, no meio de uma tarefa qualquer, ele acaba encontrando uma coisa que ele nem estava procurando. Ele acaba virando rei. Deixa eu te contar como. Lembra que o povo de Israel tinha pedido um rei. Pediram com força. Foram avisados do preço e insistiram. E Deus disse, tudo bem, vão ter um rei. Agora vem a pergunta. Quem vai ser esse rei? E o jeito como Deus escolhe esse primeiro rei é cheio de surpresa. Tinha um rapaz chamado Saul. Ele era de uma família comum, de uma das tribos menores de Israel.

Nada de especial na origem dele. Mas tinha duas coisas que chamavam a atenção no Saul. Ele era muito alto. O texto diz que ele era mais alto que todo mundo do povo, da cintura para cima. E ele era bonito. Um rapaz de aparência marcante. Por fora, parecia mesmo um rei. Alto, forte, bonito. Do jeito que o povo imaginava que um rei devia ser. E um dia, umas jumentas do pai do Saul sumiram. Os burros fugiram. E o pai falou, Saul, pega um empregado e vai atrás dessas jumentas. E o Saul foi. Procurou num lugar. Procurou em outro. Andou por várias regiões. E nada, as jumentas não apareciam. Depois de muito procurar, o Saul ficou preocupado de outro jeito.

Ele falou para o empregado. Vamos voltar, senão meu pai vai parar de se preocupar com as jumentas e vai começar a se preocupar com a gente. Mas o empregado teve uma ideia. Ele disse, olha, tem um homem de Deus nessa cidade aqui perto. Um homem respeitado, que tudo o que ele fala acontece. Vamos lá perguntar para ele para que lado a gente deve ir para achar as jumentas. Esse homem de Deus era o Samuel, o profeta, o mesmo Samuel das outras histórias. E aqui acontece a parte que arrepia. No dia anterior, Deus tinha avisado o Samuel. Tinha dito mais ou menos assim. Amanhã, mais ou menos a esta hora, eu vou te mandar um homem.

E é ele que você vai ungir como líder do meu povo. Deixa eu explicar essa palavra. Ungir. Naquele tempo, quando alguém era escolhido por Deus para uma missão grande como ser rei, derramava um azeite na cabeça dessa pessoa. Azeite, óleo. Era um gesto que dizia, esse aqui foi separado por Deus, escolhido para essa missão. Ungir é isso. Derramar o azeite e marcar a pessoa como escolhida. Então o Samuel já estava esperando. Sabia que ia chegar um homem escolhido. Só não sabia o rosto. E quando o Samuel apareceu, procurando umas jumentas, Deus falou no coração do Samuel. É esse. É esse o homem.

E o Samuel foi até o saúl. E o saúl, sem saber de nada, perguntou para o Samuel onde ficava a casa duvidente do homem de Deus. Ele nem sabia que estava falando com o próprio. E o Samuel respondeu uma coisa que deve ter deixado o saúl totalmente confuso. Ele disse, sou eu o homem de Deus. Vem comigo, come comigo hoje. E sobre aquelas jumentas que você está procurando, pode ficar tranquilo. Já apareceram. E aí ele soltou. E para quem é tudo o que há de melhor em Israel. Não é para você e para a casa do seu pai. Imagina a cara do saúl. Ele saiu de casa atrás de uns burros. E de repente um profeta famoso fala que tudo de melhor em Israel é para ele.

O saúl nem entendeu. Falou, mas eu sou da menor tribo, da família mais simples. Por que você está falando isso comigo? O Samuel não explicou ainda. Levou o saúl para um banquete. Sentou ele no lugar de honra. Deu para ele a melhor parte da comida. Tratou ele como alguém muito importante. E o saúl sem entender nada, no dia seguinte, bem cedo, o Samuel chamou o saúl para um lugar reservado. Só os dois. E aí ele fez. Ele pegou um frasco de azeite e derramou na cabeça do saúl. E disse, o senhor te ungiu para ser o líder do povo dele. Ali num canto. Sem ninguém vendo. O rapaz que procurava jumentas foi marcado como o primeiro rei de Israel.

E o Samuel disse mais uma coisa importante. Disse para o saúl que, no caminho de volta para casa, ia acontecer uma série de sinais. Coisas específicas iam acontecer, na ordem certa, para ele saber que tudo aquilo era de Deus mesmo e não invenção. E o texto diz que Deus mudou o coração do saúl. Como se uma coragem nova, uma capacidade nova, entrasse nele para ele dar conta dessa missão gigante. E tudo aconteceu como o Samuel falou. Os sinais, um por um, mas o povo ainda não sabia de nada. A unção tinha sido em segredo. Faltava apresentar o rei para o povo todo. Então o Samuel juntou Israel inteiro.

E começou a sortear, tribo por tribo, família por família, para revelar quem Deus tinha escolhido. E foi afunilando, até chegar no nome. Saúl, mas aí teve um detalhe quase cômico. Na hora de apresentar o rei, o saúl não aparecia. Procuraram, procuraram. Cadê o rei? Sabe onde ele estava? Escondido. No meio da bagagem. Atrás das coisas. O homem mais alto de Israel. O escolhido para ser rei. Estava se escondendo entre as malas. Com medo daquilo tudo. Foram lá e tiraram ele do esconderijo. E quando ele ficou de pé no meio do povo, todos viram. Ele era mais alto que todo mundo, da cintura para cima.

E o Samuel disse, olhem o homem que Deus escolheu. Não há ninguém igual a ele em todo o povo. E o povo gritou, viva o rei. Mas nem todo mundo gostou. Alguns desprezaram o saúl. Disseram, entre eles. E esse aí vai nos salvar. E não trouxeram presente nenhum para ele. Olharam para o novo rei com desprezo. Mas o saúl, naquele momento, ficou quieto. Fez de conta que não ouviu. Eu fico pensando muito nessa história. E tem duas coisas que me pegam. A primeira é como Deus age no meio das coisas pequenas. O saúl não estava numa missão grandiosa quando foi escolhido. Ele estava procurando uns burros perdidos.

Estava fazendo uma tarefa chata, comum, do dia a dia. E foi exatamente no meio do comum que a vida dele virou de cabeça para baixo. Às vezes, a gente acha que as coisas grandes só acontecem em momentos grandes. Mas muita coisa importante chega no meio do ordinário. Quando a gente está só tocando o dia, a segunda coisa é o saúl escondido na bagagem. Pensa nisso, o homem mais alto do povo, o mais bonito, escolhido por Deus. E mesmo assim com medo, escondido atrás das malas. Por fora, ele tinha tudo de rei, por dentro, estava apavorado. E isso me toca, porque mostra que ter a aparência certa não é a mesma coisa que estar pronto por dentro.

O saúl parecia rei, mas o coração dele ainda estava se escondendo. Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa numa tarefa boba que você tem para fazer hoje. Uma coisa comum, sem graça. Lavar uma louça, responder uma mensagem, andar até algum lugar, resolver uma pendência chata. E só hoje faz essa coisa prestando atenção de verdade. Como se ela pudesse importar mais do que parece. Como se no meio dela pudesse aparecer alguma coisa que você não está esperando. Um encontro, uma ideia, uma virada. Porque a história de hoje começou com um rapaz fazendo uma tarefa qualquer, atrás de uns burros perdidos.

E foi bem ali, no meio do comum, que a vida dele mudou para sempre. A gente quase nunca sabe qual tarefa boba de hoje é a que vai mudar tudo.