Israel pede um rei · 1 Samuel 8:1–22

A Biblia · Temporada 5 · Episódio 7 de 14 — em ordem cronológica

Você pediria algo sabendo que irá te destruir? Um povo inteiro foi avisado, em detalhes, de cada perda. E insistiu.

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Transcrição

tem coisa que a gente pede com tanta vontade, e quando ganha, descobre que era exatamente o que ia machucar a gente. E o mais assustador é quando a gente é avisado antes, avisado em detalhe. E mesmo assim, insiste, é isso que acontece nessa história. Um povo inteiro pede uma coisa. É avisado de tudo que vai dar errado. E responde, não importa. A gente quer mesmo assim. Deixa eu te contar. O Samuel já estava velho. Ele tinha sido o líder de Israel por muitos anos. Não um rei, repara nisso. Israel não tinha rei. Quem guiava o povo era Deus, e o Samuel era a voz de Deus no meio deles. Um profeta, um juiz.

Alguém que ouvia Deus e dizia ao povo o que fazer. E o Samuel guiou bem, com justiça, por muito tempo, mas ele estava ficando velho. E pensou em deixar os filhos no lugar dele. Colocou os dois filhos como juízes, para cuidarem do povo. Só que os filhos não eram como o pai. O texto é direto sobre isso. Eles não andavam pelos caminhos do Samuel. Eles eram gananciosos, aceitavam dinheiro por baixo do pano, torciam a justiça, quem pagava ganhava a causa, mesmo estando errado. E o povo viu isso. E ficou incomodado. Com razão. Os líderes estavam corrompidos, então os líderes mais velhos de Israel se juntaram e foram falar com o Samuel.

E fizeram um pedido. Eles disseram, mais ou menos assim. Olha, você já está velho. E os seus filhos não andam direito como você. Então faz o seguinte. Levanta para a gente um rei. Para ele julgar a gente, como tem todas as outras nações. Para nessa última parte. Como tem todas as outras nações. Esse era o coração do pedido. Eles não queriam só resolver o problema dos filhos do Samuel. Eles queriam ser como os outros povos. Queriam um rei de carne e osso. Um homem na frente deles. Uma coroa. Um trono. Porque todo mundo ao redor tinha isso. E eles queriam também. O problema é o seguinte.

Israel já tinha um rei. O rei deles era o próprio Deus. Era Deus que guiava, que protegia, que cuidava. Eles eram diferentes de todos os outros povos, justamente por causa disso. Não dependiam de um homem no trono. Dependiam de Deus. E agora eles estavam dizendo. A gente não quer mais ser diferente. A gente quer ser igual aos outros. O Samuel ficou triste com aquele pedido. Duê-o nele. Ele sentiu como se o povo estivesse rejeitando ele. Depois de tantos anos servindo. Então ele fez o que sempre fez. Ele levou o assunto para Deus. Oro. Perguntou. E Deus respondeu uma coisa que muda tudo.

Deus disse para o Samuel. Mais ou menos assim. Ouve o que o povo está te pedindo. Porque não é você que eles estão rejeitando. É a mim. Eles não querem mais que eu reine sobre eles. Senta nessa por um cês. O pedido parecia ser só sobre política, sobre governo. Mas no fundo era sobre o coração. Eles estavam trocando o cuidado invisível de Deus por uma figura visível que eles pudessem ver e seguir como os outros povos faziam. E aí Deus disse uma coisa importante. Ele disse dá o rei para eles. Mas avisa. Avisa direitinho como vai ser ter um rei. Mostra para eles o preço. Samuel voltou para o povo e fez uma das listas mais pesadas da Bíblia.

Ele descreveu item por item o que um rei ia fazer com eles. Ele disse mais ou menos assim. O rei vai pegar os seus filhos. Vai colocar eles para dirigir os carros de guerra dele. Para correr na frente dele. Para lutar nas guerras dele. O rei vai pegar as suas filhas. Para fazer perfume para ele. Para cozinhar para ele. Para cozinhar para ele. O rei vai pegar os seus melhores campos. As suas melhores plantações. As suas vinhas. E vai dar para os amigos dele. Para os servos dele. O rei vai cobrar imposto de tudo que vocês produzem. Um pedaço do trigo. Um pedaço da uva. Um pedaço do rebanho.

Vai ficar com parte de tudo. E o rei vai pegar vocês mesmos para trabalhar para ele. E o Samuel terminou com um aviso pesado. Ele disse. Vai chegar um dia em que vocês vão gritar por causa desse rei que escolheram. Vão se arrepender. E nesse dia Deus não vai responder esse grito de vocês. Porque vocês foram avisados. Repara que tudo isso vira uma palavra só. Tomar. Um rei toma. O rei do mundo pega para si. Os seus filhos. As suas filhas. A sua terra. O seu trabalho. A sua liberdade. Enquanto o Deus tinha. Era um Deus que cuidava deles. Sem tomar nada. E aqui vem a parte que me deixa de boca aberta.

O povo ouviu tudo isso. A lista inteira. Cada detalhe do que ia perder. E respondeu. Não. A gente quer um rei mesmo assim. Eles disseram. Mais ou menos assim. Não. Queremos ter um rei sobre nós. Para sermos como todas as nações. Para ele ir na nossa frente. E lutar as nossas guerras. Ou viram o preço inteiro. E disseram. Tudo bem. A gente paga. E o Samuel levou de novo a resposta para Deus. E Deus disse. Ouve a voz deles. Dá um rei para eles. E foi assim. Deus deixou que tivesse o rei. Eu fico pensando muito nessa história. Porque ela fala de uma coisa que acontece com a gente o tempo todo.

A gente quer tanto uma coisa. Que fica surdo para os avisos. A gente pede. Pede. Pede. E quando alguém que sabe mais tenta nos mostrar o preço. A gente nem ouve direito. A gente só quer o sim. E tem uma coisa ainda mais delicada aqui. Às vezes Deus diz sim para o nosso pedido. Mas não porque era o melhor para a gente. E sim porque a gente insistiu tanto que ele deixou a gente aprender do nosso jeito. O sim nem sempre é aprovação. Às vezes o sim é só. Tudo bem. Vai por esse caminho. Eu avisei. E quase sempre o que a gente tanto quer é ser os outros. Ter o que os outros têm. Parecer com todo mundo.

Israel tinha algo único. Um cuidado que ninguém mais tinha. E trocou isso para ser igual aos vizinhos. Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa numa coisa que você quer muito. Um pedido que você faz com força. Pode ser uma coisa. Um lugar. Uma mudança. Qualquer coisa que você deseja bastante. E faz uma pergunta só. Sem pressão de responder agora. Por que eu quero isso? De verdade. É porque é bom para mim? Ou é porque os outros têm? E eu quero ser como eles. E uma segunda pergunta mais difícil. Quando alguém que me conhece tenta me avisar de um problema. Eu ouço de verdade. Ou eu só quero ouvir o sim.

Não precisa mudar nada hoje. Não precisa desistir de nada. Só repara-se. No meio de um desejo bem forte. Você não está ficando surdo para os avisos. Porque às vezes a coisa mais valiosa não é conseguir o que a gente pede. É conseguir escutar. No meio da vontade. Alguém que enxerga o preço que a gente ainda não viu.