Um general tem um exército na mão e uma ordem clara do que fazer. E mesmo assim, ele se vira para uma mulher e diz "eu só vou se você for comigo, se você não for, eu não vou". Um soldado com medo e uma mulher que não tinha medo nenhum. Deixa eu te contar essa, porque é uma das histórias mais surpreendentes da Bíblia inteira e o herói no fim nem é quem você esperaria. Lembra daquela roda que o povo de Israel vivia girando. Eles esqueciam de Deus, se davam mal, eram dominados por algum inimigo, gritavam por socorro e Deus levantava um líder para salvar eles, pois a roda estava girando de novo.
Dessa vez, o inimigo era um rei com um exército poderoso e ele tinha uma arma assustadora para a época. 900 carros de ferro, carro de ferro era tipo uma carruagem de guerra, puxada por cavalos, reforçada com metal, com laminas, era o tanque de guerra daquele tempo. Quem tinha carro de ferro dominava o campo de batalha e esse rei tinha 900, o povo de Israel não tinha nada parecido, eles estavam sendo esmagados, oprimidos, com muito medo fazia 20 anos e aí entra a personagem principal. O nome dela era Débora e a Débora era uma coisa rara para aquele tempo, ela era profetiza, ou seja, uma mulher que falava por Deus, que ouvia e passava para o povo e mais que isso, ela era juíza, era líder, as pessoas vinham de longe e sentavam debaixo de uma certa palmeira onde ela costumava ficar, para ela resolver as brigas, dar conselho, decidir as questões.
Numa época em que quem mandava era quase sempre homem, era essa mulher que o povo inteiro recorria e todo mundo respeitava e um dia, a Débora mandou chamar um homem chamado Baraki, ele era um militar e ela passou para ele uma ordem que vinha de Deus, ela disse mais ou menos assim "olha, Deus está mandando você fazer o seguinte, junta 10 mil homens, sobe pro monte e desce para enfrentar o exército do rei com os 900 carros de ferro e pode ir tranquilo, porque Deus vai entregar esse inimigo todo na sua mão, a vitória já está garantida, não podia ser uma mensagem melhor, ordem clara e promessa de vitória garantida", mas o Baraki hesitou e ele falou uma coisa que mostra exatamente o tamanho do medo dele, ele disse para Débora "eu só vou se você for junto comigo, se você for eu vou, mas se você não for, eu também não vou", para e pensa nisso, o homem é o general, ele recebeu a ordem direta com a vitória prometida e mesmo assim ele não consegue ir sozinho, ele precisa que a mulher, a profetiza, vá junto para ele criar coragem e a Débora respondeu numa boa, ela disse "tá bom, eu vou com você, eu vou", mas ela saiba de uma coisa, por causa do jeito que você está fazendo isso, a glória dessa vitória não vai ser sua, o grande inimigo, o comandante deles, vai ser derrotado pela mão de uma mulher e ela foi junto, subiram para o monte com os neis mil homens e lá embaixo, o exército inimigo se ajuntou com toda aquela força, os 900 carros de ferro brilhando e a Débora deu o sinal, ela disse "Tanta, hoje é o dia, Deus já foi na frente de vocês" e o baráque desceu o monte com os neis mil atrás dele, correndo para cima do exército de ferro e aconteceu uma coisa, o texto sugere que veio uma chuva, uma enchente e o chão virou um lama sal e aí aconteceu a virada mais irônica da história, aqueles 900 carros de ferro que eram a grande força do inimigo viraram a grande fraqueza, eram pesados, atolaram na lama, travaram, a arma mais poderosa virou um monte de ferro inútil, preso no barro e o exército inimigo foi derrotado por completo, uma vitória total, mas o comandante inimigo, o chefão, fugiu, saltou do carro e correu a pé e foi se esconder na barraca de uma mulher chamada Jael, achando que ali, com uma mulher, ele estaria seguro, ela recebeu ele com a barraca, deu leite para ele beber, cobriu ele, ele exausto, caiu no sono profundo, achando que tinha escapado e foi ali com ele dormindo que a Jael acabou com ele, ela, sozinha, uma mulher numa barraca, derrubou o grande comandante que um exército inteiro não tinha conseguido parar e foi exatamente o que a Débora tinha dito lá no começo, a vitória não foi para o general homem, a glória foi para uma mulher e quando acabou tudo, a Débora cantou, ela fez uma música, um canto de vitória, lembrando tudo o que tinha acontecido, agradecendo, celebrando e depois disso a terra teve paz por 40 anos e é aqui que eu paro para pensar, tem tanta coisa nessa história, mas o que mais me pega é a coragem da Débora num mundo que não esperava nada dela, naquele tempo ninguém esperava que uma mulher liderasse tudo, ninguém esperava que ela desse ordem a um general que fosse para o campo de batalha, que cantasse a vitória e ela fez tudo isso com uma calma impressionante sem pedir licença para ser quem ela era e tem o contraste com o Baraki, ele não era um covarde não, ele foi para a guerra, ele lutou, ele venceu, mas ele precisava de alguém do lado para ter coragem, ele não conseguia ir sozinho, mesmo com a vitória prometida e eu acho que esses dois moram dentro da gente, tem dias em que a gente é a Débora, a gente está firme, sabe o que precisa ser feito e vai e tem dias em que a gente é o Baraki, a gente sabe o que tem que fazer, sabe até que vai dar certo, mas trava, não consegue dar o passo sozinho, precisa de alguém junto e olha que coisa bonita, a Débora não humilhou o Baraki pelo que ele, ela não disse vir a homem, vai sozinho, ela disse tá bom, eu vou com você, ela foi junto, às vezes a coragem da gente não vem de dentro, vem de ter a pessoa certa do lado que topa ir junto, aqui vai uma coisa para hoje, pensa numa coisa que você sabe que precisa fazer, mas que você está travando sozinho, aquela conversa difícil, aquele passo que dá medo, aquela decisão que você está mediando, não por não saber o que fazer, mas por não conseguir fazer sozinho, e só por hoje faça uma de duas coisas, ou seja a Débora para alguém e ofereça ir junto com uma pessoa que está travada de medo, ou se o travado for você, tenha a humildade do Baraki e chame alguém, diga eu vou, mas eu preciso que você venha comigo, não tem nada de fraco em precisar de companhia para ser corajoso, o Baraki entrou para a história mesmo precisando de alguém do lado, às vezes a coisa mais corajosa não é ir sozinho, é admitir que você não consegue ir sozinho e chamar alguém para ir