As festas sagradas de Israel · Levítico 23:1–44

A Biblia · Temporada 3 · Episódio 6 de 19 — em ordem cronológica

Seu calendário é uma lista de tarefas intermináveis? Prepare-se para conhecer outro tipo de agenda: uma que marca os dias para sua alma, não para o seu chefe.

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Transcrição

Imagina um calendário, mas não um calendário cheio de tarefas, de coisas para fazer, de prazos para cumprir. Imagina um calendário cheio de pausas, de dias para parar e lembrar. Um povo inteiro, faz mais de três mil anos, recebeu um calendário desses, e ele dizia sete vezes por ano, para tudo. Hoje a gente lembra. Deixa eu te contar. O povo de Israel tinha acabado de sair da escravidão, a vida inteira deles, no Egito tinha sido só trabalho. Um dia atrás do outro, sem fim, sem folga, sem motivo, e agora Deus dá para eles uma coisa nova. Datas, dias marcados no ano, dias que não eram para produzir nada, eram para parar.

O texto chama esses dias de festas sagradas, e sagrado aqui quer dizer só uma coisa, separado, um dia separado do resto, diferente dos outros, e a primeira de todas vem toda semana. É o descanso do sétimo dia, trabalhe seis dias, e no sétimo, pare, repara que isso vem antes de qualquer festa do ano, como se Deus dissesse, antes de tudo, aprende a parar uma vez por semana. Esse é o ritmo, trabalha, e descansa, trabalha, e descansa, e aí vem as festas do ano. Vou te contar as principais, porque cada uma guarda uma ideia bonita. A primeira é a páscoa. Na primavera deles, numa noite marcada, o povo comia um cordeiro e um pão sem fermento.

O pão sem fermento, aquele pão chato, sem crescer. Por quê? Porque era o pão da pressa. Na noite em que saíram do Egito, eles tiveram que sair tão rápido que não deu tempo do pão crescer. Então todo ano, eles comiam aquele mesmo pão. Para lembrar no corpo, na boca, no gosto, a gente um dia foi escravo e foi libertado. A páscoa era a festa de lembrar de onde a gente veio. Eles vinham à festa da colheita. Quando o trigo amadurecia, o povo pegava o primeiro feixe, o primeirinho que nascia e oferecia a Deus. Antes de guardar para si, antes de comer, o primeiro era de Deus. Pensa na ideia.

Você plantou, você suou. E quando vem à colheita, a primeira coisa que você faz não é guardar. É agradecer. O primeiro fruto é um obrigado. 50 dias depois, vinha outra festa de colheita, com mais pães, mais ofertas, uma festa de fartura, de celebrar que a terra deu, que teve comida, que ninguém ia passar fome naquele ano. E aí o calendário dá um pulo para o outono deles. E aqui as festas mudam de tom. Ficam mais sérias, mais profundas. Primeiro, um dia de trombetas, um dia em que tocava um chifre, um som alto e comprido, no meio do povo. Era um alarme bonito, um som que dizia "acorda, presta atenção", vem aí uma coisa importante.

O que dez dias depois, vinha o dia mais sério de todos, o dia do perdão. Era o único dia do ano em que o povo inteiro parava para olhar para dentro, para reconhecer as coisas erradas que tinham feito e para receber o perdão de Deus e começar de novo, com a ficha limpa. Era um dia de silêncio, de jejum, de não fazer nada, a não ser ficar diante de Deus e dizer "erramos". E ouvir de volta. Está perdoado e aí, logo depois do dia mais pesado do ano, vinha a festa mais alegre de todas. Era a festa das tendas. Por uma semana inteira, o povo saía de casa e ia morar em cabanas. Cabaninhas de galho, de folha, abertas, frágeis, sabe por quê? Para lembrar do tempo em que eles moraram no deserto.

Quando não tinham casa, não tinham nada e dormiam em tendas e Deus cuidou deles mesmo assim. Uma vez por ano, mesmo quem já tinha uma casa boa, de pedra, saía dela e ia dormir numa cabana frágil por uma semana. Só para lembrar, tudo o que eu tenho hoje, um dia eu não tinha e eu fui cuidado mesmo assim. E essa das tendas, era a festa mais cheia de alegria do ano inteiro. Música, comida, gente junta, a festa de quem olhou para trás e viu o quanto foi cuidado. E é aqui que eu paro para pensar, porque olha o desenho desse ano todo, tem uma festa para lembrar de onde você veio, tem festas para agradecer pelo que você colheu, tem um dia para reconhecer seus erros e receber perdão, e tem uma festa para celebrar que você foi cuidado mesmo quando não tinha nada.

Lembrar, agradecer, ser perdoado, celebrar, não é um calendário de tarefas, é um calendário do coração e eu acho que isso fala muito com a gente hoje, porque a nossa vida virou uma corrida só, um dia empurra o outro, a gente quase não tem dia marcado para parar e sentir alguma coisa de propósito, a gente tem prazo de entrega, tem reunião, tem lembrete de pagar conta. Mas quantos lembretes a gente tem para agradecer, para olhar para trás, para perdoar e ser perdoado. Esse povo antigo entendeu uma coisa que a gente esqueceu, que a alma também precisa de datas, de pausas marcadas, de dias que existem só para lembrar do que importa, porque se você não marca esses dias, eles não acontecem, a correria engole tudo.

Aqui vai uma coisa para hoje, escolhe uma dessas quatro coisas, só uma, lembrar, agradecer, perdoar ou celebrar e faz dela um pequeno momento, hoje, de propósito. Pode ser assim, na hora de comer, antes de começar, para cinco, seis e pensa de onde veio essa comida, quanta gente trabalhou para ela chegar até você. É um pequeno agradecer, ou, antes de dormir, pensa numa coisa boa que aconteceu e que você nem percebeu direito no meio da pressa. É um pequeno celebrar, não precisa de festa, não precisa de cabana de galho, precisa só de uma pausa de propósito, porque o segredo dessas festas todas é simples, elas não criavam o sentido, elas só faziam o povo parar tempo o suficiente para perceber o sentido que já estava ali, e talvez seja só isso que a gente precise também.

Não de mais um dia, mas de parar, num dia qualquer, tempo o suficiente para ver o que já está bem na nossa frente.