A repartição da terra entre as tribos · Josué 13:1–21:45

A Biblia · Temporada 4 · Episódio 6 de 13 — em ordem cronológica

Você está procurando seu lugar no mundo? A resposta talvez não esteja lá fora, mas no pedaço de chão que já é seu.

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Transcrição

Imagina uma família que andou no deserto por 40 anos, sem casa, sem chão que fosse deles. Dormindo em barraca a vida inteira, sempre de mudança, sempre de passagem, e aí um dia, alguém abre um mapa enorme na frente deles e diz "tá vendo essa terra toda, agora é de vocês, cada um vai ter o seu pedaço". É disso que eu quero te falar hoje. Do dia em que um povo sem teto finalmente ganhou um lugar para chamar de seu. Deixa eu te situar. O povo de Israel já estava dentro da terra prometida. Já tinham atravessado o rio, derrubado cidades, vencido batalhas. A terra grande no geral já era deles, mas tinha um detalhe que faltava.

A terra ainda não tinha sido dividida. É uma coisa diferente. Uma coisa é conquistar um território grande. Outra coisa é cada família saber. Esse pedaço aqui, esse vale, essa colina, é o meu. É onde eu vou plantar. É onde os meus filhos vão crescer. É onde eu vou ser enterrado. E o Josué, o líder do povo, já estava velho. Bem velho. E Deus falou com ele "você já tá idoso e ainda sobra muita terra pra repartir". Então vamos dividir. Dá pra cada parte do povo o seu lugar. Agora, pra você entender, o povo de Israel era dividido em 12 grandes famílias, 12 tribos. Cada uma tinha o nome de um dos filhos de um homem chamado Jacob, lá de muitas gerações atrás.

Era como 12 ramos de uma mesma árvore e a terra foi sendo dividida entre essas tribos. Eu não vou te encher de nomes e fronteiras, porque isso não é o que importa. O que importa é a cena. Imagina o povo todo reunido. E ali, na frente de todos, vão chegando e marcando. Essa tribo fica com a terra perto do mar. Essa fica com as montanhas do norte. Essa fica com o vale fértil, bom de plantar. Essa fica perto da cidade onde um dia vai ter o templo. Uns ficaram com terra de pastagem, boa pra criar ovelha. Outros com terra de vinha, boa pra fazer vinho. Outros perto das fronteiras, onde a vida ia ser mais puxada, mais exposta.

E cada família, recebendo o seu pedaço, estava recebendo muito mais do que terra. Estava recebendo um lugar no mundo, uma raiz, a chance de parar de andar. Teve uma tribo, porém, que não recebeu pedaço de terra nenhum. A Duça Cerdotes, os homens que cuidavam das coisas de Deus e não foi castigo, foi o contrário. Disseram pra eles, a parte de vocês não é um pedaço de chão. A parte de vocês é o próprio Deus. Vocês cuidam das coisas sagradas e o povo cuida de vocês. Então, vocês espalharam algumas cidades no meio das outras tribos pra morarem. Eles não ficaram numa região só, ficaram no meio de todo mundo.

E teve um detalhe lindo. Separaram algumas cidades especiais, espalhadas pela terra, que eram cidades de refúgio. Eram cidades onde uma pessoa que tivesse causado uma morte sem querer num acidente podia correr e se proteger, pra não ser morta de segurança antes de ter um julgamento justo. Era um lugar de respiro, de segurança, no meio de um mundo violento, um canto onde alguém podia chegar e dizer "aquí eu tô a salvo" e tem uma história. No meio de toda essa divisão, que vale a pena contar, tinha um homem velho chamado Kaleb. Ele tinha 85 anos. E muito tempo antes, lá no deserto, ele tinha sido um dos espias que haviam pra olhar aquela terra.

E enquanto quase todos voltaram com medo dizendo "não dá, é gente grande demais", o Kaleb foi um dos pouquíssimos que confiou. Que disse "a gente consegue, Deus tá com a gente" e agora, 45 anos depois, já velho, ele chega pro Josué e fala uma coisa que dá orgulho. Ele diz "Lembra da promessa, me deram aquela região das montanhas, onde tem os gigantes, nas cidades difíceis". Pois é, eu quero ela, eu tô com a mesma força de antes. Me dá a parte mais difícil. 85 anos, pedindo a montanha mais brava, porque a fé dele não tinha envelhecido. E teve também cinco irmãs, cinco mulheres, filhas de um homem que tinha morrido sem deixar filho homem.

Naquele tempo, normalmente, só os homens herdavam terra. E elas chegaram e disseram "E a gente, o nosso pai morreu, a gente não pode ficar sem nada". E ouviram elas e elas receberam a sua herança também. O nome do pai delas não se perdeu e quando tudo terminou de ser dividido, o texto diz uma frase que é o coração de tudo. Ele diz mais ou menos assim "De todas as boas promessas que Deus tinha feito praquele povo, nenhuma falhou, todas se cumpriram". Para e pensa no peso disso. Gerações antes, lá no comecinho, Deus tinha prometido pra um homem velho de filhos, o abraão, que um dia os descendentes dele teriam uma terra.

Naquela época era só uma promessa. Palavra ao vento, um sonho impossível pra um homem sem filho nenhum. E agora, tantas e tantas gerações depois, o povo inteiro estava ali, com a terra dividida, cada família no seu pedaço. A promessa, que parecia impossível, tinha virado mapa, tinha virado chão de verdade, com nome e dono. E é aqui que eu paro pra pensar. O que mais me pega nessa história é a paciência coisa. A promessa demorou. Demorou tanto que quem ouviu ela primeiro morreu sem ver. E os filhos morreram. E os netos, geração após geração, carregou aquela promessa sem ver ela se cumprir.

E mesmo assim ela se cumpriu. No tempo dela, não no tempo de quem ouviu o primeiro. E acho que isso fala com a gente. Porque a gente vive num mundo que quer tudo agora. E tem coisas na vida que são na terra. Demoram, levam anos. Às vezes a gente planta uma coisa sabendo que talvez nem seja a gente que vai colher. Um filho que a gente educa. Um trabalho que a gente começa. Uma mudança que a gente faz e que só vai dar fruto lá na frente. E tem outra coisa que me toca. Cada família recebeu um pedaço diferente. Uns ganharam um vale fértil, fácil. Outros ganharam a montanha brava, difícil.

E nem por isso nos valiam mais que os outros. Cada um recebeu o seu lugar. O lugar que era para ser dele. A gente perde tanto tempo querendo o pedaço do vizinho. A terra mais fácil. O vale do outro. Quando a gente tem o nosso próprio chão para cuidar. Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa no seu pedaço. No lugar que é seu agora. A sua casa, por mais simples que seja. O seu trabalho. As pessoas que podem fazer as coisas para cuidar. O canto do mundo que hoje é a sua parte. E só por hoje, em vez de olhar para a terra do outro, para o vale que parece mais fácil do lado de lá, repara no seu próprio chão.

No que você já tem para cuidar e fazer crescer. Você não precisa de mais terra para começar. Só precisa olhar para o pedaço que já é seu e tratar ele como o que é. Uma promessa que, de algum jeito, já chegou nas suas mãos.