Bênçãos e maldições — o caminho da vida e da morte · Deuteronômio 27:1–30:20

A Biblia · Temporada 3 · Episódio 18 de 19 — em ordem cronológica

Você realmente não tem escolha? A cada minuto, sua vida é um vale entre dois montes. E sua decisão, agora, está definindo quem você é.

▶ Ouvir o episódio

Transcrição

Imagina dois montes, um de frente pro outro, com um vale no meio, e um povo inteiro dividido. Metade em pé num monte, metade no outro, e eles vão fazer uma coisa estranha. De um lado, vão gritar todas as bênçãos, as coisas boas que podem acontecer. Do outro, vão gritar todas as maldições, as coisas ruins. Uma metade fala a vida, a outra fala a morte. E o povo escuta as duas, alto e claro, antes de entrar na terra prometida. Deixe-te contar por que eles fizeram isso. O Moisés está terminando o discurso de despedida. Ele já repetiu a lei. Já falou do amor de todo o coração. E agora ele quer fazer uma coisa ficar bem grudada na memória daquela gente.

Tão grudada que eles nunca esqueçam. Então ele dá uma instrução. Quando vocês entrarem na terra, diz ele, vão até dois montes que ficam um de frente pro outro. Um se chama Jerizim. O outro, Ebal. Seis tribos sobem num, seis tribos sobem no outro. E aí começa, de um monte, eles proclamam as bênçãos. As coisas boas que vem quando um povo vive direito, com justiça, cuidando uns dos outros e de Deus. E o Moisés pinta essas bênçãos de um jeito muito concreto, pra gente simples entender. Ele diz, você vai ser abençoado na cidade e no campo. Sua plantação vai dar fruto, seus filhos, seus animais, seu trabalho.

Você vai ser abençoado quando entra e quando sai, de manhã e de noite. Na vida inteira, é como dizer, as coisas vão dar certo. Vai ter paz, vai ter fartura, vai ter vida. E aí do outro monte vem as maldições. E o Moisés não sua visa. Ele diz com as mesmas palavras ao contrário. A maldiçoado na cidade e no campo. A plantação não vai dar. O trabalho não vai vingar. Vai vir confusão. Vai vir aperto. É como dizer, quando um povo larga a justiça, quando cada um passa a pisar no outro, a vida começa a desmoronar. Não como um castigo de fora, mas como uma consequência, como quando você solta a mão de uma criança numa rua movimentada.

O perigo não é castigo, é só o que acontece quando você solta. E o povo, nos dois montes, escuta tudo, as bênçãos e as maldições, o caminho que dá vida e o caminho que leva a ruína. Ninguém pode dizer depois que não sabia, agora, pode parecer que isso é só ameaça. Faça certo ou se ferra. Mas não é bem isso. E é aí que essa passagem fica linda, porque depois de listar tudo, o Moisés chega no fim. E ele junta tudo numa frase só, uma das frases mais fortes de toda a Bíblia. Ele olha pro povo e diz, mais ou menos assim. Olha, eu coloquei na sua frente, hoje, a vida e a morte, a bênção e a maldição.

E aí ele faz uma coisa que parece óbvia, mas que muda tudo. Ele não manda, ele pede, ele diz, então, escolhe a vida, escolhe a vida, pra que você viva, você e os seus filhos. Escolhe a vida, escolhe a vida. Para e repara nisso, ele podia ter só mandado, faça sim, ou então. Mas em vez disso, ele entrega a escolha na mão do povo. Ele diz, tá aqui, os dois caminhos, bem na sua frente. Você consegue ver os dois. E a decisão é sua. É como um pai que já ensinou tudo o que sabia pro filho e chega um age em que ele para de mandar. Ele só fala, olha, eu te mostrei os dois caminhos, eu te amo demais, por favor, escolhe o que dá vida.

Mas a escolha, agora, é tua. E tem uma coisa que me toca muito nesse hoje. Ele diz, eu ponho na sua frente, hoje, a vida e a morte, hoje, não num grande dia, lá longe, no futuro, hoje, porque é assim que a vida funciona de verdade. A gente acha que vai ter um grande momento de decisão, um dia, e que ali a gente vai escolher quem vai ser. Mas não é. A gente escolhe hoje e amanhã de novo, e depois de novo, em coisas pequenas. Todo dia tem os dois montes na nossa frente, e é aqui que eu paro pra pensar, porque a parte mais bonita dessa história, pra mim, não são as bênçãos nem as maldições.

É o fato de existir uma escolha, tem uma coisa que a gente faz muito, a gente gosta de dizer que não teve escolha. Eu sou assim mesmo, as coisas me empurraram, não tinha o que fazer. E às vezes é verdade, a vida aperta de um jeito que tira opções da gente, e isso é real. Mas o Moisés tá lembrando uma coisa que é fácil esquecer, que no fundo quase sempre tem dois montes, tem o caminho que constrói, e o caminho que destrói. E na maior parte das vezes, mesmo nas pequenas, a gente está escolhendo um dos dois, com o que a gente fala, com como a gente trata os outros, com o que a gente faz quando ninguém vê, e o mais bonito é que a Bíblia não diz você já escolheu, era seu destino.

Ela diz o contrário, ela diz, tá na sua frente hoje de novo. Escolhe a vida. Sempre tem um novo hoje pra escolher de novo, aqui vai uma coisa pra hoje. Não vou te pedir nada grande, vou te pedir pra reparar numa escolha pequena, em algum momento de hoje, você vai chegar num desses dois montes sem nem perceber, vai poder responder uma mensagem com paciência, ou com veneno, vai poder ajudar alguém, ou fingir que não viu, vai poder dizer a verdade ou enrolar, vai poder cuidar de você, ou se maltratar mais um pouco, são coisinhas, mas cada uma é um vale com dois montes, então hoje, em uma dessas, só uma, para uns antes de responder.

E lembra dessa frase, vida ou morte, tá na minha frente, e escolhe, de propósito, o caminho que constrói, o que dá vida, pra você e pra quem está do seu lado, porque no fim, a sua vida não é feita de uma grande escolha, ela é feita de mil pequenas, e cada uma delas é um hoje novo, com os dois montes na sua frente, esperando você escolher.