O resgate — Boaz e Rute se casam · Rute 4:1–22

A Biblia · Temporada 5 · Episódio 3 de 14 — em ordem cronológica

Ele tinha o destino de duas mulheres nas mãos. Um 'sim' bastava, mas o que o fez recuar é o mesmo que abriu as portas de uma história que mudaria o mundo.

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Transcrição

Tem um homem que tem o direito de mudar a vida de duas mulheres pobres. Basta ele dizer sim, e ele quase diz, até descobrir uma coisa que faz ele recuar na hora. E a nesse recuo dele que a história inteira se decide. Deixa eu te contar como tudo se resolve. Lembra onde a gente parou? A Ruti, aquela estrangeira leal e a Noemi, a sogra dela, eram duas viúvas pobres tentando sobreviver. E tinha aparecido uma esperança. O Boas. Um homem bom, parente da família, que podia ser o resgatador delas. Resgatador, lembra, era aquele parente que, pela lei daquele tempo, podia comprar de volta as terras da família e se casar com a viúva para dar futuro a quem tinha perdido tudo.

Alguém que pagava o preço para restaurar o que estava perdido. O Boas tinha prometido a Ruti que ia resolver isso, mas tinha um problema. Existia outro parente mais próximo da família do que ele. E, pela ordem das coisas, esse outro parente tinha o direito de escolher primeiro. O Boas era um homem correto. Ele não ia passar por cima da regra, nem mesmo para ficar com a mulher que ele admirava. Então ele resolveu fazer tudo certo na frente de todo mundo. Logo de manhã, o Boas foi até a porta da cidade. Naquele tempo, a porta da cidade era o lugar onde os assuntos importantes se resolviam.

Era o tribunal, o cartório e a praça. Tudo junto, os mais velhos e respeitados se sentavam ali. E quando você queria fechar um acordo sério com testemunhas, era ali que você ia. O Boas sentou. E logo o outro parente passou. Aquele que tinha o direito de escolher primeiro. O Boas chamou ele. Ei, vem cá, senta aqui. E o Boas reuniu dez dos homens mais velhos da cidade para servirem de testemunhas. Tudo as claras. Nada escondido. E aí ele apresentou o assunto com esperteza. Primeiro ele falou só da terra, disse para o parente. A Noemi voltou de Moab e está vendendo um pedaço de terra que era do nosso falecido parente Helimelec.

Você é o parente mais próximo. Então você tem o primeiro direito de comprar essa terra e mantê-la na família. Quer comprar? Se não quiser, fala. Porque depois de você sou eu, e o parente animado disse na hora, claro que eu compro. Quero a terra. Para ele era um ótimo negócio. Terra é terra. Comprar um pedaço de terra e aumentar o patrimônio? Ótimo. Mas o Boas ainda não tinha contado a parte completa. E aí ele soltou o resto. Diz-se ótimo. Só que tem uma coisa. No dia em que você comprar essa terra da Manda Noemi. Você também vai assumir a Ruth, a viúva Moabita. Você vai ter que se casar com ela e ter um filho com ela.

E esse filho vai herdar a terra e levar o nome do falecido. Ou seja, a terra que você comprou não vai ficar para o seu nome. Vai ficar para o nome do morto. E aí tudo mudou para o parente. De repente não era só comprar terra. Era assumir uma mulher, ter um filho. E esse filho não levar o nome dele. E a terra não enriquecer a família dele de verdade. Ia ser tudo para preservar o nome de outro homem. E ele recuou. Na hora. Ele disse, ah, assim eu não posso. Isso ia atrapalhar a minha própria herança. Os meus próprios filhos. Pega você. O direito de resgate é seu. Eu abro mão. Repara na diferença entre os dois homens.

O parente queria o que dava lucro fácil. A terra. Mas na hora que apareceu a responsabilidade junto, a parte que custava, ele recuou. Ele queria o ganho sem o peso. O boas não. O boas topou os dois. A terra e a mulher. O ganho e o peso. Ele quis a Ruth mesmo sabendo que ia gastar dinheiro, assumir uma viúva estrangeira. E que o primeiro filho ia carregar o nome de outro homem. Não o dele. Ele aceitou o custo inteiro. E para fechar o acordo, fizeram um gesto antigo. Naquele tempo, para confirmar um negócio, um homem tirava a sandália e dava para o outro. Era como assinar um contrato. O parente tirou a sandália e entregou para o boas.

Na frente de todo mundo. E o boas se levantou diante dos dez anciãos. E de toda a gente reunida ali. E falou bem alto. Vocês são testemunhas hoje de que eu assumi tudo o que era do Elimelec e dos filhos dele. E de que eu tomei a Ruth, a Moabita, para ser minha esposa, para preservar o nome do falecido sobre a terra dele. Vocês são testemunhas. E o povo todo, junto com os anciãos, respondeu. Somos testemunhas. E abençoaram o casamento com palavras lindas, pedindo que aquela casa prosperasse, que aquela família fosse cheia de filhos e de bensãos. E foi assim que a Ruth, a estrangeira pobre que tinha começado catando restos de comida no chão, virou esposa do boas, o homem bom e respeitado da cidade.

E aí veio a coisa mais linda. A Ruth e o boas se casaram e tiveram um filho. Um menino pensa na reviravolta. A Ruth, que tinha chegado àquela cidade como viúva, estrangeira, sem nada, agora segurava um bebê nos braços. Vida nova, de verdade. Mas o mais bonito é o que aconteceu com a Noemi. Lembra que lá no começo ela tinha dito para parar de chamar ela de Noemi e chamar de Mara, que quer dizer a Marga? Ela dizia que tinha saído cheia e voltado vazia, que a vida tinha tirado tudo dela, pois agora as mulheres da cidade chegaram perto dela e disseram, "Olha Noemi, Deus não te deixou sem ninguém.

Olha esse menino, essa tua Nora, a Ruth, que te ama, vale mais pra você do que sete filhos." E a Noemi pegou o bebê. Colocou no colo, aninhou aquela criança junto ao peito. E cuidou dele como se fosse dela. A mulher que dizia estar vazia agora tinha um neto no colo. A amargura virou doçura de novo. E o texto termina com um detalhe que parece pequeno, mas é enorme. O nome do menino era Obedi. E o Obedi, quando cresceu, teve um filho chamado Jesseh. E o Jesseh teve vários filhos. E o filho mais novo do Jesseh se chamava Davi. Davi. O menino pastor que ia virar o maior rei de Israel. Aquele que enfrentou o gigante Golias.

Aquele de quem, muitas gerações depois, ia nascer Jesus. Para e absorve isso. A estrangeira pobre, a viúva de Moab, a moça que catava restos no chão. Ela virou bisavó do rei Davi. Está na linhagem do Messias. Aquela mulher que ninguém esperava nada, que chegou sem nada, entrou pra dentro da maior história da Bíblia. E é aqui que eu paro pra pensar. Tem duas coisas que me pegam nessa história. A primeira é o Boas. Ele aceitou o peso junto com a Benção. O parente queria só a parte boa, sem o custo. O Boas aceitou o pacote inteiro. E foi exatamente por aceitar a parte que custava que ele entrou pra história.

E o outro homem nem teve o nome registrado. A gente nem sabe como ele se chamava. A segunda é a Noemi. Aquela frase "eu voltei vazia". Ela disse isso com toda a certeza do mundo. Tinha enterrado o marido e os dois filhos. Achava que a vida tinha acabado pra ela. E ela estava errada. No meio da dor, ela não tinha como enxergar que a coisa mais linda da vida dela ainda estava chegando. Que aquele neto no colo já estava a caminho. Acho que a gente faz muito isso. No meio de uma perda, a gente declara que acabou. Que não tem mais futuro. E às vezes a gente só não consegue ver o que ainda tá chegando porque tá escuro demais no momento.

Aqui vai uma coisa pra hoje. Pensa numa coisa boa que você poderia fazer por alguém, mas que dá um pouco de trabalho. Que custa um tempo, um esforço, um dinheiro. Aquela ajuda que seria mais fácil não dar. E hoje, escolhe dar. Aceita o peso junto com a coisa boa, como o Boas fez. E se você tá num momento em que se sente vazio, como a Noemi se sentiu, não decreta que acabou. Você não consegue ver daí de dentro o que ainda pode estar a caminho. Às vezes a melhor parte da história começa exatamente quando a gente jura que não tem mais história nenhuma.