A construção do tabernáculo · Êxodo 35:1–40:38

A Biblia · Temporada 2 · Episódio 23 de 23 — em ordem cronológica

O mesmo ouro que virou ídolo pode abrigar a presença divina. A diferença não está no metal, mas no coração que o oferece.

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Transcrição

uma diferença enorme entre receber uma ordem e entregar o coração. E o mesmo povo que pouco tempo antes tinha derretido o ouro para fazer um ídolo agora vai derreter o ouro de novo. Mas dessa vez por um motivo completamente diferente. E o que acontece no fim dessa história é uma das cenas mais bonitas de todo o livro. Deixa eu te contar. Lembra de onde a gente vem. Lá atrás, na montanha, Deus tinha dado ao Moisés as instruções para construir uma tenda especial, um lugar para ele morar no meio do povo. A tenda da presença. Depois veio a traição do bezerro de ouro. A relação trincou.

Mas o Moisés intercedeu. Deus perdoou. E a aliança foi remendada. Deus disse de novo. Tudo bem, eu vou no meio de vocês. E agora com a relação curada, é hora de finalmente construir aquilo que tinha sido só um plano. O Moisés junta o povo e faz o pedido. Ele diz, quem tiver o coração disposto, traga uma oferta para o Senhor. Ouro, prata, bronze, fios, linho, pelles, madeira, óleo, pedras, o que você quiser dar. E aí acontece uma coisa que é quase engraçada de tão bonita. O povo começa a trazer. E trazer. E trazer. De manhã, traziam mais. No outro dia, mais. Homens e mulheres, todos que tinham o coração disposto, chegavam com os braços cheios.

Quem sabia tecer, tecia. Quem sabia trabalhar com metal, trabalhava. Cada um dava o que tinha e o que sabia fazer. E chega um ponto em que os artesãos, os que estavam construindo, vão até o Moisés com um problema. Mas que problema é engraçado? Eles dizem, o povo está trazendo coisa demais. A gente já tem mais material do que precisa para terminar a obra. Para e pensa nisso. Esse é provavelmente o único lugar da Bíblia em que alguém precisa pedir para o povo parar de dar. Sobrou, deu mais do que o suficiente. E o Moisés manda passar um aviso pelo acampamento. Chega. Ninguém mais precisa trazer nada.

E o povo foi impedido de dar mais. Olha o tamanho da virada. O mesmo povo que tinha sido egoísta, impaciente, traidor com o bezerro, agora estava dando até demais. De coração aberto. Então a obra começa para valer. Eu não vou te encher de medidas e materiais, porque não é melhor que essa história é feita. Mas deixa eu te mostrar a cena. Imagina o acampamento inteiro no meio do deserto, virado num grande canteiro de trabalho. Mulheres fiando fios coloridos com as mãos. Homens martelando o ouro até virar lâminas finas. Madeira sendo cortada e encaixada. Pedras preciosas sendo lapidadas e montadas.

Cortinas enormes sendo bordadas com desenhos de anjos. Tudo feito com bicho. Tudo do melhor que tinha. Nada de qualquer jeito. E peça por peça, aquilo foi tomando forma. A grande tenda. As cortinas bordadas. O altar. A mesa com o pão. O candelabro de ouro. Com seus galhos e suas flores. Segurando as luzes que nunca apagavam. E a peça mais importante de todas. A arca. A caixa de madeira coberta de ouro. Com os dois anjos na tampa. Com as asas se encontrando no pão. O lugar guardado para Deus se encontrar com o povo. E tem uma frase que se repete várias vezes nesse trecho. Toda vez que uma peça fica pronta.

O texto diz a mesma coisa. Diz que eles fizeram tudo exatamente como o senhor tinha ordenado ao Moisés. Exatamente como tinha sido pedido. Sem inventar. Sem encurtar. Com fidelidade. E quando tudo. Mas tudo ficou pronto. O Moisés relaciona a obra inteira. Olha cada peça. E vê que estava tudo certo. Do jeito que devia ser. E o texto diz que o Moisés abençoou o povo. Como quem olha para um trabalho bem feito. Feito com amor. E se enche de alegria. E aí chega o momento de montar tudo. Eles levantam a tenda. Colocam cada coisa no seu lugar. A arca dentro. A mesa. O candelabro. O altar. E o Moisés faz a última vez que faltava.

E agora chega a cena que fecha o livro inteiro. Lembra que tudo isso começou com uma promessa? Deus tinha dito lá atrás. Faça para mim um lugar. E eu vou morar no meio de vocês. E aqui essa promessa se cumpre diante dos olhos de todos. O texto diz que no momento em que a tenda ficou pronta. Uma nuvem desceu e cobriu a tenda. E a glória do senhor encheu o lugar. Tão cheio de presença. Tão cheio de Deus. Que nem o Moisés conseguia entrar. Pensa nisso. O lugar que eles viram com as próprias mãos. Com o ouro que cada um trouxe de coração. Ficou tão cheio de Deus que transmordou. A presença veio.

Veio de verdade. Veio morar no meio do acampamento. No meio das barracas. No meio da vida diária daquela gente. E o livro termina com uma imagem linda. Uma imagem de viagem. A partir dali, sempre que a nuvem subia de cima da tenda, o povo levantava o acampamento e seguia em frente. E enquanto a nuvem ficava parada, eles ficavam parados também. De dia, era uma nuvem. De noite, virava fogo para todo o povo poder ver. Então eles seguiram viagem assim. Não sabendo o caminho. Só olhando para a nuvem. Quando ela andava, eles andavam. Quando ela parava, eles paravam. Deus na frente, mostrando o passo.

E é assim que o êxodo termina. Não com o povo chegando, mas com o povo a caminho. Com Deus, finalmente, morando no meio deles, indo junto, mostrando a direção. E eu fico pensando muito nesse fim. Porque essa história inteira, do começo ao fim, é a história de um povo que saiu da escravidão. E o ponto final dela não é a liberdade em si. Não é só sair do Egito. O ponto final é Deus morando no meio. É a presença chegando para ficar. Como se a libertação só ficasse completa quando deixou de ser sobre fugir de algo e sobre caminhar com alguém. E tem a beleza do como aquilo foi construído.

Não por ordem, não por medo, por corações dispostos que deram até sobrar. Aquele lugar onde Deus escolheu morar foi feito de capricho, de talento e de generosidade espontânea de gente comum. Eu te masturiquei a estudar macar. Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa em alguma coisa que você anda fazendo só por obrigação. Um trabalho, uma tarefa, um cuidado com alguém. Uma coisa que você cumpre mais meio no automático. E hoje, em uma dessas coisas, tente fazer de coração. Só uma. Não porque mandaram, mas porque você escolheu dar o seu melhor ali. Porque a diferença entre o bezerro de ouro e a tenda de Deus não estava no ouro.

Era o mesmo ouro. A diferença estava no coração que oferecia. E quando você faz uma coisa de coração com capricho mesmo a mais simples, às vezes ela fica tão cheia de presença que transborda. E você descobre que aquilo que parecia só mais uma coração virou um lugar onde algo bonito veio morar. Você não precisa de uma nuvem no céu. Só de fazer uma coisa hoje com o coração inteiro.