Imagina sete irmãos enfilerados na sua frente. Todos fortes, altos, bonitos. E você tem que escolher um pra uma missão enorme. E a resposta certa não é nenhum dos sete. A resposta certa é o irmão que nem chamaram. O que ficou lá fora, sozinho, cuidando das ovelhas. O que ninguém achou que valia a pena trazer. Deixa eu te contar essa história. Porque ela muda o jeito da gente olhar pras pessoas. O rei saúde tinha falhado. Tinha desobedecido a falta de Deus duas vezes. E Deus tinha decidido que o reino ia passar para outro. O saúl ainda estava no trono. Mas, no plano de Deus, o próximo rei já estava sendo escolhido.
E o Samuel, o velho profeta, estava de luto pelo saúl. Triste, arrasado com o que tinha acontecido. E Deus falou com ele. Disse mais ou menos assim. Até quando você vai ficar chorando pelo saúl. Eu já escolhi ele como rei. Levanta. Enche um chifre com azeite e vai. Vai pra cidade de Belém, pra casa de um homem chamado G.C. Porque entre os filhos dele, eu já escolhi um pra ser rei. Lembra do azeite? Naquele tempo derramar azeite na cabeça de alguém era o jeito de marcar essa pessoa como escolhida por Deus pra uma missão grande. Um gira é isso. O azeite na cabeça dizia, esse aqui foi separado.
Mas o Samuel ficou com medo. Ele disse, como é que eu vou? Se o saô souber que eu fui um outro rei, ele me mata. E Deus deu um jeito. Disse, leva um animal pra oferecer em sacrifício. E diz que você veio pra isso. Faz um banquete, convida o G.C. e os filhos dele. E na hora certa eu te mostro o que fazer. Então o Samuel foi pra Belém. Quando ele chegou, os líderes da cidade ficaram nervosos. Um profeta famoso aparecendo do nada costumava significar problema. Eles perguntaram quando você vem em paz. E o Samuel disse em paz. Vim fazer um sacrifício. Venham comigo. E ele chamou G.C. e os filhos dele pra cerimônia.
E aqui começa a parte mais bonita. Os filhos do G.C. começaram a passar na frente do Samuel um por um. E o primeiro a aparecer foi o mais velho. Ele abe. Um rapaz alto, forte, de aparência impressionante. E o Samuel olhou pra ele e pensou. É esse. Tem que ser esse. Olha o tamanho dele. Olha a presença. Esse é o rei. Mas Deus falou no coração do Samuel uma das frases mais importantes da Bíblia inteira. Deus disse mais ou menos assim. Não olha pra aparência dele. Nem pra altura dele. Eu rejeitei esse. Porque o jeito de Deus ver não é o jeito que o ser humano vê. O ser humano olha pra fora.
Pra cara. Pro corpo. Pra aparência. Mas Deus olha pro coração. Senta nessa por um cés. O homem olha pro que dá pra ver por fora. E Deus olha pro que tem por dentro. E olha que detalhe importante. Esse mesmo Samuel já tinha se enganado uma vez. O rei saúl também era alto e bonito. O mais alto de todos. E tinha falhado. O Samuel estava quase repetindo o mesmo erro. Escolher de novo pela altura. Pela aparência. E Deus disse não. Dessa vez não. Então o Eliabe passou. E não era ele. Veio o segundo filho. Abinadabe. E o Samuel disse também não é esse. Veio o terceiro. Samar. Não é esse.
E foi passando. Quatro, cinco, seis, sete filhos do G. C. Todos passaram na frente do Samuel. E a cada um a mesma coisa. Não é esse. Não é esse. Não é esse. Sete filhos. E nenhum era o escolhido. Imagina a confusão. Deus tinha dito que o rei estava entre os filhos do G. C. E os filhos passaram todos. E nenhum servia. O que estava errado. Então o Samuel perguntou pro G. C. Uma coisa simples. Que vira a chave de tudo. Ele disse são todos os seus filhos. É só isso. E o G. C. Respondeu. Ainda falta o mais novo. Mas ele está lá fora. No campo. Cuidando das ovelhas. E para nisso. O G. C.
tinha vários filhos. E quando o G. C. chegou para escolher um rei. Ele juntou o sete que ele achava que tinha um chance. E nem se deu o trabalho de chamar o caçula. Deixou o menino lá fora. Com os bichos. Como se aquele filho nem entrasse na conta. Como se não valesse a pena nem trazer para a fila. Nem o próprio pai apostava nesse menino. E o Samuel disse. Manda buscar ele. A gente não vai sentar para comer até ele chegar. Foram buscar o menino no campo. E ele chegou. O texto descreve ele. Era ruivo. De bonitos. De boa aparência. Mas o que importa é que ele era jovem. O menor. O último.
O que ninguém tinha lembrado. O nome dele era Davi. E quando o Davi chegou. Deus falou com o Samuel. Disse claro e direto. Levanta e unge ele. É esse mesmo. E o Samuel pegou o chifre de azeite. E na frente dos irmãos todos. Derramou o azeite na cabeça do menino mais novo. O que estava com as ovelhas. O que nem tinham chamado. E o texto diz uma coisa linda. Diz que daquele dia em diante o espírito de Deus veio com força sobre o Davi. Como se uma capacidade nova. Uma presença de Deus passasse a estar com aquele menino dali pra frente. O caçula esquecido virou ungido de Deus. O futuro rei de Israel.
E tem um detalhe lindo no fim do capítulo. Logo depois disso. O rei saú lá no palácio dele começou a passar por momentos muito ruins. Uma angústia pesada. Um tormento na alma. E os servos dele sugeriram chamar alguém que soubesse tocar música pra acalmar ele. E sabe quem eles chamaram. Sem fazer ideia de quem era de verdade. O Davi. O mesmo Davi. O menino pastor que sabia tocar arpa. Então o futuro rei. Que ainda era um garoto desconhecido. Entrou no palácio do rei atual pra tocar música e acalmar a alma dele. O salô gostou tanto do Davi que pediu pra ele ficar por perto. Sem saber.
De jeito nenhum. Que aquele rapaz que tocava pra ele era justamente ter que ocupar o trono dele um dia. Mas isso é história pra frente. Eu fico pensando muito nessa história. E o que me pega de verdade é aquela frase. O ser humano olha pra fora. Deus olha pro coração. A gente faz isso o tempo todo. A gente julga as pessoas pela aparência. Pela altura. Pela beleza. Pela roupa. Pelo jeito de falar. Pelo tanto que a pessoa impressiona quando entra numa sala. E a gente acha que quem chama mais atenção é quem vale mais. Mas a história de hoje é isso de cabeça pra baixo. O cara mais impressionante.
O irmão mais velho. Alto e forte. Foi rejeitado. E o escolhido foi o menino que estava esquecido no campo. O que nem entrava na conta. O que o próprio pai não lembrou de chamar. E me toca também pensar nas vezes em que a gente é o Davi. As vezes em que a gente se sente o esquecido. O que não foi chamado. O que ficou de fora enquanto os outros mais bonitos, mais altos, mais notados estavam na fila. E essa história sussurra uma coisa pra esse lugar. Que o que importa de verdade não é o que aparece por fora. É o que tem dentro. E que ser esquecido pelos outros não é a mesma coisa que ser esquecido por Deus.
Aqui vai uma coisa pra hoje. Pensa numa pessoa que você costuma não dar muita bola. Alguém que passa meio invisível pra você. Não porque você não gosta. Mas porque ela não chama atenção. Não impressiona. É o tipo de pessoa que fica lá no campo. Com as ovelhas. Enquanto a gente olha pros que estão na fila da frente. E hoje, só hoje, presta uma atenção de verdade nessa pessoa. Repara nela. Escuta o que ela fala. Olha pra ela como alguém que pode ter um coração enorme por dentro. Mesmo sem nada por fora que grite. Porque a história de hoje é justamente sobre isso. O maior rei que Israel ia ter estava lá fora.
Esquecido. Com os bichos. Sem ninguém apostar nele. E quase passou despercebido por todo Quase, menos por quem olhava pro lugar certo.