Jacó vai ao Egito — a família reunida · Gênesis 46:1–47:31

A Biblia · Temporada 1 · Episódio 35 de 37 — em ordem cronológica

Um velho de mais de cem anos arruma as malas para uma viagem que parecia impossível: reencontrar o filho que chorou como morto por décadas.

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Transcrição

Um velho de mais de 100 anos arruma as coisas para sair de casa, para deixar para trás a terra onde ele nasceu, onde enterrou os pais, onde passou a vida inteira. E ele vai porque acabou de descobrir uma coisa que tinha achado impossível. O filho que ele chorou como morto durante mais de 20 anos, estava vivo. Deixa eu te contar como foi essa viagem. Você lembra do Jacó, o velho pai, aquele que tinha 12 filhos e que amava de um jeito todo especial um deles, o José. E lembra do que aconteceu com o José. Os irmãos tinham ciúme, venderam ele. E o José foi parar lá longe, no Egito, como escravo.

Por anos e anos, o Jacó achou que o filho tinha morrido. Mas o José não morreu. Pelo contrário, lá no Egito, depois de muito sofrimento, ele acabou virando o homem mais poderoso do país, logo abaixo do rei. E quando veio uma fome enorme sobre o mundo todo, foram os irmãos do José que tiveram que ir até o Egito para comprar comida. E foi ali que tudo se revelou. Agora o José manda uma mensagem para o pai. Diz, venham, tragam tudo. Venham morar aqui perto de mim, onde tem comida, enquanto a fome não passa. E o Jacó arruma a vida inteira para ir. Mas antes de entrar no Egito, ele faz uma parada.

Ele chega num lugar chamado Berceba. E ali, ele para para oferecer sacrifícios a Deus. Ali, ele para para rezar, porque tem uma coisa pesando no coração desse velho. Deus tinha prometido, lá atrás, para o avô dele, o Abraão e para o pai dele, o Isaac, que a família ia crescer e virar um povo enorme naquela terra, naquela terra. E agora o Jacó estava saindo dela. Tava indo para o Egito, para a terra de outro povo, de outro Deus. Será que era certo ir? E à noite, Deus fala com ele numa visão. Chama ele pelo nome. Diz, Jacó, Jacó. E ele responde, aqui estou. E Deus diz uma coisa que tira todo o peso do peito do velho.

Diz, não tenha medo de descer para o Egito, porque é lá que eu vou fazer de você um grande povo. Eu desço com você e eu vou trazer você de volta. E a sua própria mão vai fechar os olhos do seu filho José. Para nessa última frase, fechar os olhos de alguém é o que se fazia quando a pessoa morria. Deus estava dizendo, com todas as letras, você vai rever o seu filho. Você vai ficar com ele até o seu último dia. Ele vai estar do seu lado quando você partir. Imagina o que é ouvir isso depois de mais de 20 anos achando que o filho estava morto. E o Jacó vai. Leva a família inteira.

Os filhos, os netos, as mulheres, os animais, tudo. O texto até para contar o nome de cada um que desceu para o Egito. 70 pessoas no total. 70. Era a família toda. A semente do que um dia ia virar um povo gigante. E aí vem a cena que esse velho esperou a vida inteira sem saber o que esperava. O Jacó manda o filho ajudar na frente para avisar o José que eles estavam chegando para mostrar o caminho até a região onde iam morar, uma terra boa para pasto chamada Gozen. E o José manda preparar a carruagem dele. E sobe ele mesmo para ir encontrar o pai. Os dois se veem. E o texto diz que o José se jogou no pescoço do pai e chorou.

Chorou por um tempão, abraçado nele. E o velho Jacó disse, "Agora eu posso morrer. Agora que eu vi o seu rosto. Agora que eu sei que você está vivo." Pensa nesse momento. Um pai que enterrou um filho no coração sem corpo, sem despedida, só com a dor. E que de repente abraça esse filho de novo, adulto, vivo, poderoso. Tem dor que a gente acha que vai carregar para sempre. E aí a vida dá uma volta que a gente nem imaginava ser possível. Depois disso, o José leva alguns dos irmãos para conhecer o rei do Egito, o Faraó, e leva o pai também. E acontece uma cena bonita. O Faraó pergunta para o velho Jacó, "Quantos anos você tem?" E o Jacó responde de um jeito que só um homem que viveu muito responde.

Ele diz, "Foram 130 anos a minha caminhada por essa terra. Poucos e difíceis foram os meus dias. Eu não cheguei nem perto dos anos que meus pais viveram. Repara como ele chama a vida, de caminhada, de jornada, como quem está de passagem." E aí o velho faz uma coisa linda. Antes de sair, ele abençoa o Faraó. Pensa nisso. O homem mais poderoso da terra, na frente de um velho pastor estrangeiro. E é o velho que abençoa o rei. Não o contrário. E o Faraó manda dar para eles a melhor parte do Egito para morar. A terra de gozem, boa de pasto, perto do José. Ali a família se ajeita e começa a crescer.

Enquanto isso, a fome continuava pesada no mundo todo. E o texto conta como o José cuidou do Egito naquele tempo difícil. As pessoas tinham fome e o José ia administrando os estoques de comida que ele tinha guardado nos anos bons. O povo trazia o dinheiro para comprar trigo. Quando o dinheiro acabou, trouxeram os animais. Quando os animais acabaram, ofereceram a própria terra e o próprio trabalho. E o José foi atravessando o país inteiro por aquela fome. Sem deixar o povo morrer, mantendo todo mundo vivo até a terra voltar a dar comida de novo. E o povo dizia para ele, você salvou a nossa vida.

E a família do Jacó, lá em gozem, foi crescendo, tendo filhos, se multiplicando, bem no meio do Egito. E os anos foram passando. O Jacó viveu mais 17 anos no Egito, ao lado do filho que ele tinha perdido, 17 anos. Quase como ganhar de volta os anos que tinha perdido chorando. E quando o velho sentiu que o fim estava chegando, ele chamou o José e pediu uma única coisa. Ele disse, por favor, quando eu morrer, não me enterre aqui no Egito. Me leve de volta, me enterre lá junto dos meus pais, na terra que Deus prometeu para a gente. E o José prometeu, e o velho, satisfeito, se curvou ali mesmo na cabeceira da cama.

Eu fico pensando muito nessa história, porque ela começa com um velho com medo de sair de casa, medo de deixar para trás tudo o que ele conhecia, tudo o que era seguro, para ir para um lugar novo, sem saber o que ia encontrar. E o que faz ele ir não é a coragem dele. É uma voz que diz, não tenha medo, eu desço com você. Não vai sozinho e se vira. Não, fica aí onde é seguro, mas eu vou junto. E é isso que me toca, que a viagem mais difícil da vida desse homem sair de tudo, na velhice, sem garantia nenhuma, não era para perder, era para reencontrar. No fim daquela estrada que parecia tão assustadora, tava o filho que ele achava que nunca mais ia ver.

Às vezes, a gente segura tanto o medo de sair do lugar conhecido que esquece de uma coisa, que tem reencontro do outro lado, que tem coisa boa esperando num lugar que a gente ainda nem pisou. Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa numa mudança que você vem adiando. Pode ser pequena, uma conversa, um passo, uma decisão de sair de um lugar que já não te serve mais. Uma coisa que te dá um friozinho na barriga só de imaginar. E hoje, não precisa dar o passo inteiro. Só dá o primeiro pedacinho dele, uma mensagem, uma pesquisa, um telefonema. Como o Jacó, que antes de descer para o Egito, parou só para rezar.

Ele não atravessou o caminho todo de uma vez. Ele deu um passo e ouviu "Não tenha medo, eu vou com você". E aí, ele arrumou as coisas e foi.