A morte de Saul e Jônatas · 1 Samuel 28:1–31:13

A Biblia · Temporada 5 · Episódio 14 de 14 — em ordem cronológica

O que você faria se a voz que sempre te guiou de repente calasse? É no desespero desse silêncio que um rei toma a decisão mais proibida de sua vida.

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Transcrição

Tem uma coisa que dá mais medo que qualquer inimigo, é o silêncio. Imagina que você sempre teve alguém pra te dizer o que fazer, uma voz que te guiava, e de repente essa voz cala, você pergunta, pergunta e não vem resposta nenhuma, e é aí nesse silêncio que um rei desesperado faz a última coisa errada da vida dele. E na noite seguinte perde tudo. Deixa eu te contar como acaba a história do rei sal, porque é um fim triste, mas tem muito o que aprender nele. Lembra do rei sal, o primeiro rei de israel, aquele que começou bem, mas foi tomado pelo ciúme do davi, e passou anos caçando o menino pra matar.

Agora, lá no fim da vida dele, tudo desabou de uma vez, primeiro os filisteus, os inimigos antigos, juntaram um exército enorme pra atacar israel, um acampamento gigante, e o saú, quando viu aquilo, sentiu medo no fundo do coração. O texto diz que o coração dele tremeu muito, e o saú fez o que ele sempre fazia quando tinha medo. Ele quis saber o que ia acontecer, quis uma resposta, um sinal, algo pra se agarrar, então ele perguntou a Deus, o que eu faço, vou ganhar ou vou perder, e veio o silêncio. Deus não respondeu, nem por sonho, nem por sinal, nem por profeta, nada, o céu ficou calado, pensa no desespero do saú, o exército inimigo na porta, e a voz que ele sempre teve, calada, ele tava sozinho no escuro, e aí o saú fez uma coisa proibida, uma coisa que ele mesmo antes tinha mandado proibir no reino, existiam naquele tempo umas pessoas que diziam falar com os mortos, medions, é mais ou menos esse o nome, gente que prometia chamar o espírito de quem já morreu pra dar resposta, era proibido em israel, porque era pra confiar em Deus, não em truque de espírito, e o próprio saú tinha expulsado essas pessoas do reino, mas no desespero ele jogou a própria regra no lixo, ele se disfarçou, foi de noite escondido atrás de uma dessas mulheres, numa cidade chamada Endor, e ele pediu, chama pra mim o espírito do Samuel, o Samuel era o velho profeta que tinha guiado o saú a vida toda, o homem de Deus, mas o Samuel já tinha morrido, e o saú sem resposta de Deus foi atrás do morto, e o texto conta uma cena assustadora, que apareceu uma figura como a do velho Samuel, e essa figura falou, e não trouxe consolo nenhum, ela disse mais ou menos, porque você me perturba, você se afastou de Deus, e agora corre pra mim, amanhã você e os seus filhos vão estar comigo, quer dizer, amanhã você morre, o exército vai cair, tudo acabou, imagina ouvir isso, o saú caiu no chão, sem força, apavorado, ele tinha procurado uma resposta, e a resposta foi a própria sentença, ele nem comeu naquela noite, de tanto desespero, tiveram que insistir muito pra ele aceitar um pedaço de pão, e no dia seguinte à batalha, os filisteus avançaram, e foi uma derrota total pra Israel, o exército do saú foi quebrado, os homens fugiram, caíram aos montes, e aí veio a parte mais dura, os filhos do saú morreram na batalha, e entre eles o sonatas, o jonatas, lembra dele, o melhor amigo do Davi, o príncipe que amou o Davi como a si mesmo, que protegeu ele do pai, que abriu mão do próprio trono pelo amigo, o melhor coração da história toda, o jonatas morreu lutando ao lado do pai, os dois, o pai difícil e o filho bom, caíram no mesmo dia, e o saú, o saú foi cercado, os arqueiros inimigos acertaram ele, ele ficou ferido gravemente, e ele viu que não tinha mais saída, os inimigos iam chegar e fazer dele um troféu, ia ser humilhado, então o saú pediu pro soldado que carregava as armas dele, me mata pra eu não cair na mão dos inimigos, mas o soldado teve medo, não conseguiu levantar a mão contra o rei, e o saú então pegou a própria espada, encostou no chão com a ponta pra cima, e se jogou em cima dela, ele tirou a própria vida, o soldado que carregava as armas, quando viu o rei morto, fez a mesma coisa, morreu ali do lado, num dia só, o rei e os filhos dele, acabou ali a primeira família real de israel, foi um dia muito escuro pro povo, os inimigos pegaram os corpos e penduraram no muro de uma cidade pra humilhar, foi triste de verdade, mas teve um último gesto de bondade, numa cidade chamada Jabez, uns homens corajosos ouviram o que tinha acontecido com os corpos do rei e dos filhos, e eles andaram a noite inteira, foram lá, tiraram os corpos do muro com respeito, e deram o enterro digno, e ficaram de luto, choraram, jejuaram sete dias, porque mesmo no fim, com todos os erros do saú, ainda teve gente que lembrou que ele um dia tinha sido o rei deles, e quis honrar ele na morte, e é aqui que eu paro pra pensar, a parte que mais me toca nessa história é o começo do fim, é o silêncio, o salão perguntou a Deus e não veio resposta, e em vez de esperar nesse silêncio, em vez de aguentar não saber, ele correu desesperado pra um truque, pra qualquer coisa que desce uma resposta rápida, e essa pressa de ter uma resposta, qualquer resposta, foi o que selou o fim dele, e eu acho que isso fala demais com a gente, porque a coisa mais difícil que existe é ficar no silêncio, quando você está perdido, com medo, e pergunta, e pergunta, e não vem resposta, quando você não sabe o que vai acontecer e ninguém te diz, e esse silêncio é insuportável, e é justamente nele que a gente faz besteira, a gente corre pra qualquer coisa que prometa uma resposta, mesmo uma resposta falsa, mesmo uma porta que a gente sabe que não devia abrir, só pra parar de não saber, o saú tinha medo de não saber o futuro, e por causa desse medo, ele jogou fora os próprios valores, foi atrás de noite, e ouviu a pior notícia da vida dele, às vezes a gente corre tanto atrás de uma resposta que a própria corrida vira o problema, aqui vai uma coisa pra hoje, pensa numa coisa que você não sabe, uma incerteza que está te incomodando, um futuro que você não consegue enxergar, uma resposta que não vem, por mais que você pergunte, e repara, só hoje, no que esse não saber faz com você, repara na pressa, naquela vontade de ter logo uma resposta, qualquer uma, só pra acabar com o desconforto de não saber, e aí só por hoje, em vez de correr atrás de uma resposta às pressas, experimenta ficar um pouquinho no silêncio, sem decidir nada, sem forçar, só respirar e aceitar, por enquanto eu não sei, e tá tudo bem não saber agora, porque a história do saú ensina uma coisa dura, mas verdadeira, o perigo nem sempre tá na falta de resposta, às vezes o perigo está é capaz de fazer só para não ficar nesse silêncio mais um pouco.