José interpreta o sonho do faraó · Gênesis 41:1–57

A Biblia · Temporada 1 · Episódio 32 de 37 — em ordem cronológica

Sua vida pode mudar por um sonho. Não o seu, mas o pesadelo de um rei.

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Transcrição

dois anos. Foi quanto tempo José ficou esquecido na prisão, depois de ajudar um homem que prometeu se lembrar dele. Dois anos passaram. E aí, numa única manhã, tudo muda. E muda por causa de um sonho. Não o sonho de José, o sonho do homem mais poderoso do mundo da quela época. Deixa eu te contar. Numa certa noite, o faraó, o rei do Egito, teve um sonho. Ele sonhou que estava em pé na beira do rio Nilo. E do rio saíram sete vacas, vacas gordas, bonitas, saudáveis. E elas começaram a pastar na beira do rio. Aí, atrás delas, saíram do rio outras sete vacas. Mas essas eram feias, magras, pele e osso, as vacas mais magras que o faraó já tinha visto na vida.

E então aconteceu uma coisa esquisita. As sete vacas magras comeram as sete vacas gordas, engoliram elas inteiras. E o faraó acordou. Ele dormiu de novo. E sonhou outra vez. Dessa vez, ele viu um pé de trigo. E nesse único pé nasceram sete espigas. Espigas cheias, boas, gordas de grão. Aí, brotaram outras sete espigas. Mas essas eram murchas, secas, queimadas pelo vento quente do deserto. E de novo, as sete espigas secas engoliram as sete espigas cheias. E o faraó acordou. E percebeu que tinha sido um sonho. Mas ficou perturbado. Daquele jeito que a gente fica quando sonha uma coisa que parece carregar um aviso.

De manhã, o faraó estava com o espírito agitado. Então, mandou chamar todos os sábios e mágicos do Egito, todos os homens que sabiam ler sinais e interpretar mistérios. Ele contou os sonhos para eles. E ninguém soube explicar. Nenhum. E aí, finalmente, alguém se lembra de José. O chefe dos copeiros, aquele que José tinha ajudado na prisão, ouviu falar dos sonhos do rei e a memória voltou de uma vez. Ele disse para o faraó. "Hoje eu preciso confessar uma falha minha. Quando o senhor mandou eu e o padeiro para a prisão, a gente teve sonhos numa mesma noite. E lá tinha um jovem hebreu, escravo do capitão da guarda.

A gente contou os sonhos para ele. E ele interpretou os dois. Para cada um, certinho. E aconteceu exatamente como ele disse. O faraó ouviu isso e buscar José na hora. E olha o detalhe humano. José estava na masmorra. Tiraram ele as pressas. Mas antes de levar diante do rei, fizeram ele se barbear e trocar de roupa, porque ninguém aparece diante do faraó do jeito que sai de uma cela. E aí, José, depois de anos esquecido num buraco, se viu de pé diante do homem mais poderoso do mundo. O faraó disse. "Eu tive um sonho. E ninguém consegue explicar. Mas me disseram que você ouve um sonho e sabe interpretar.

E dá atenção na resposta de José, porque ela diz tudo sobre quem esse homem é. Ele poderia ter dito. Sim, sou eu mesmo. Eu sou genial. Era a chance dele. Mas ele disse outra coisa. Ele disse. Não sou eu. Não está em mim. É Deus que vai dar ao faraó uma resposta de paz. Olha isso. Diante da maior chance da vida dele, ele aponta para cima. Tira o mérito de si mesmo. E aí o faraó contou os sonhos. As vacas, as espigas. E José explicou. Ele disse. Os dois sonhos são um só. Deus está mostrando ao faraó o que vai acontecer. As sete vacas gordas são sete anos. As sete espigas cheias são os mesmos sete anos.

E as vacas magras e as espigas secas são outros sete anos. E o que isso quer dizer? José explicou. "Vão vir sete anos de muita fartura no Egito todo. Colheita quente, comida sobrando, mais do que dá para usar. Mas depois desses sete anos bons, vão vir sete anos de fome. Uma fome tão pesada que vai apagar toda a memória da fartura. As vacas magras, comendo as gordas, a fome devorando tudo o que sobrou." E José disse uma coisa importante. O sonho veio duas vezes, de dois jeitos, porque a coisa está decidida por Deus. E Deus vai fazer isso logo. Mas José não parou na interpretação. Ele foi além.

E é aqui que ele deixa de ser só um intérprete de sonhos e mostra que tem cabeça de líder. Ele disse. Já que é assim, o senhor devia procurar um homem sábio e prudente e colocar ele no comando do Egito. E mais, devia nomear administradores pelo país para recolher um quinto de toda a colheita durante os sete anos bons. Guardar todo esse alimento nas cidades, estocar, fazer uma reserva. Assim, quando os sete anos de fome chegarem, o país vai ter comida guardada e não vai morrer de fome. Olha que sabedoria. Ele não só leu o futuro. Ele entregou um plano para sobreviver a ele. E o faraó.

O faraó ficou impressionado. Os conselheiros dele também. E o faraó disse uma frase que muda a vida de sempre. Ele disse. Vamos achar outro homem como este, em quem está o espírito de Deus? Já que Deus te mostrou tudo isso, não tem ninguém mais sábio que você. Você vai cuidar do meu palácio. Todo o meu povo vai obedecer a você. Só no trono eu serei maior que você. Para e absorve isso. De manhã, José estava numa cela, esquecido por todos. À tarde, ele é o segundo homem mais famoso do Egito. O faraó tirou o anel do próprio dedo e pôs no dedo de José. Vestiu ele com roupas finas.

Pôs um colar de ouro no pescoço dele. E mandou ele andar numa carruagem pela cidade, congente gritando na frente para todo mundo se curvar. O escravo hebreu, vendido pelos irmãos, virou governador do Egito. E aconteceu tudo como José tinha dito. Vieram os sete anos de fartura. E José percorreu o país inteiro, recolhendo comida, estocando tanto grão que, em certo momento, ele parou de medir, porque não dava mais para contar. Era como a areia do mar. E aí, na hora certa, os sete anos bons acabaram e começou a fome. A fome se espalhou por toda a parte, não só pelo Egito, por todos os países ao redor.

E quando o povo do Egito começou a passar fome e foi clamar ao Egito, ele disse uma só coisa. Vão ao José. Façam o que ele mandar. E José abriu os depósitos e vendeu comida para o Egito inteiro. E o texto fecha com uma frase enorme que abre a próxima parte da história. Ele diz, "E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar comida de José, porque a fome era severa no mundo inteiro, do mundo inteiro. Inclusive, de uma terra distante da Canaã, onde morava um velho chamado Jacó, com 11 filhos, e uma fome batendo a porta. Mas isso fica para a próxima. Eu fico pensando muito nessa história, porque tem uma cena ali que é fácil de passar batido, mas que carrega o peso de tudo.

Dois anos". José esperou dois anos numa prisão depois de fazer um favor que foi esquecido. E quando a porta finalmente abriu, ela não abriu ninguém, foi justo com ele. Abriu porque o faraodo nada teve um pesadelo. A reviravolta da vida de José não veio quando ele planejou. Veio numa manhã que ele não escolheu, por um motivo que não tinha nada a ver com ele. E o que me toca é o que José fez com os dois anos de espera. Ele não desmontou. Quando a porta abriu, ele entrou inteiro. Lúcido, sábio. Pronto. Os anos de injustiça foram apodrecidos por dentro. Tem uma coisa silenciosa aí.

A gente costuma achar que o tempo de espera é tempo perdido, tempo morto. Mas olhando a vida de José, dá para suspeitar de outra coisa. Que talvez aqueles anos todos de escravo, de administrador, de preso estivessem sem ele perceber, formando exatamente o homem capaz de governar um país numa crise. Ele não estava parado. Estava sendo preparado, só que de costas para o resultado. Aqui vai uma coisa para hoje. Pensa numa coisa que está esperando e que parece que nunca vai chegar. Uma resposta, uma virada, uma porta que não abre. E hoje, em vez de só esperar parado, faz uma única coisa que te deixa mais pronto para quando essa porta abrir.

Aprende um pedacinho de algo. Organiza uma coisa. Cuida bem do que está na sua mão agora, por menor que seja. Não para apressar a porta. Você não controla quando ela abre. José não controlava. Mas quando ela abrir e uma hora ela abre, você quer estar inteiro para como ele estava.