Jefté e o voto imprudente · Juízes 11:1–12:7

A Biblia · Temporada 4 · Episódio 11 de 13 — em ordem cronológica

Uma promessa feita no calor da batalha. Um preço que ninguém deveria pagar: a vida da própria filha.

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Transcrição

Um homem faz uma promessa no calor do momento, uma promessa grande demais, dita rápido demais, sem pensar. E essa promessa vai cobrar dele a coisa que ele mais amava no mundo. Essa é uma das histórias mais difíceis e mais tristes da Bíblia. Não é uma história fácil, mas é uma história verdadeira, e vale a pena olhar para ela com cuidado. Deixa eu te contar. O homem dessa história se chama Jeff Té, e o Jeff Té começou a vida com tudo contra ele. Ele era filho de um homem chamado Gilead, mas a mãe dele não era a esposa. E por causa disso, os outros irmãos, os filhos da esposa, expulsaram ele de casa.

Eles disseram para ele, mais ou menos, você não vai herdar nada aqui, você não é da nossa família de verdade. Vai embora. Imagina ser expulso pelos próprios irmãos, rejeitado, mandado embora de casa, sem culpa nenhuma, só por causa de quem era sua mãe. Então o Jeff Té foi embora, foi morar longe, numa terra dura. E ali, sozinho, ele se tornou um homem forte, um guerreiro. Gente começou a se juntar em volta dele. Ele virou um líder, passou o tempo, e aí veio um problema grande para o povo de Israel. Um povo vizinho, chamado Amunitas, começou a guerrear contra eles. E os israelitas estavam perdendo, estavam com medo, precisavam de alguém forte para liderar e adivinha de quem eles lembraram, do Jeff Té, aquele mesmo que eles tinham expulsado, aquele que ninguém queria.

Os líderes do povo foram atrás dele, disseram, vem ser o nosso chefe, vem liderar a gente nessa guerra. E o Jeff Té, com razão, responde meio magoado, vocês me odiaram, vocês me expulsaram. E agora que estão em apuros, vem me chamar, mas no fim ele aceita. Aquele que foi rejeitado vira o líder do povo que o rejeitou, tem uma reviravolta bonita nisso, né? O que foi jogado fora vira o Salvador. E o Jeff Té primeiro tenta resolver sem briga. Ele manda mensageiros para o rei dos Amunitas, tentando conversar, tentando fazer um acordo de paz. Mas não adianta. O outro povo não quer conversa, quer guerra.

Então o Jeff Té se prepara para a batalha. E é aqui que acontece a coisa que muda tudo. Antes de ir para a guerra, o Jeff Té faz uma promessa a Deus, mas não uma promessa qualquer. Naquele tempo as pessoas faziam votos. Um voto é uma promessa séria. Você promete fazer alguma coisa por Deus se Deus fizer alguma coisa por você. É como um acordo e o Jeff Té ansioso com medo de perder a guerra querendo muito a vitória faz um voto grande demais. Ele diz mais ou menos, Deus, se você me der a vitória nessa guerra, quando eu voltar para casa, a primeira coisa que sair da porta da minha casa para me encontrar, eu vou oferecer a você para um ser nessa frase.

A primeira coisa que sair da minha casa. Ele disse isso rápido, no desespero, sem pensar direito no que estava dizendo, sem pensar no que poderia sair daquela porta. E o Jeff Té vai para a guerra e ele vence, vence de forma esmagadora. Deus dá a vitória nas mãos dele e aí ele volta para casa, vitorioso, feliz, aliviado e ele se aproxima da sua casa e a porta se abre. E a primeira coisa que sai para encontrar ele é a filha dele, a única filha, a filha amada, saindo dançando, tocando música, comemorando a volta do pai, feliz porque o pai voltou vivo da guerra, feliz porque ele venceu, ela não sabia da promessa, ela só estava feliz de ver o pai em casa e o Jeff Té, quando vê a filha, se desespera.

O texto diz que ele rasga as próprias roupas, que era o jeito de mostrar uma dor enorme naquele tempo e ele diz para ela com o coração partido, "A minha filha, você me derrubou, eu fiz uma promessa a Deus e não posso voltar atrás". Repara como a tragédia inteira veio de uma frase dita às pressas, ele tentou comprar a vitória com uma promessa. E a promessa cobrou dele a coisa que ele mais amava e aqui o texto faz uma coisa que eu acho importante a gente notar. A Bíblia conta essa história, mas ela não comemora, ela não diz que bonito o que o Jeff Té fez, ela conta com tristeza, como quem mostra um erro, como quem diz olha no que dá uma promessa imprudente, a própria filha mostra uma coragem enorme, ela não foge, ela só pede uma coisa ao pai, ela diz me dá dois meses, deixa eu ir para as montanhas com as minhas amigas, para chorar, e depois eu volto, e o pai deixa, e ela vai, e chora com as amigas, e depois volta, e o texto diz que o que o Jeff Té tinha prometido, se cumpriu.

A filha dele foi entregue, a vida dela foi tirada pela promessa do pai, é uma história de cortar o coração, e ela termina contando que, depois disso as moças de Israel criaram um costume, todos os anos elas se juntavam por quatro dias, só para lembrar daquela menina, para que ninguém esquecesse o que tinha acontecido com ela, e é aqui que eu paro, porque essa não é uma história com final feliz, e tudo bem a gente sentiu o peso disso, eu não vou tentar dar uma lição bonitinha em cima de uma tragédia, mas tem uma coisa nessa história que fica comigo, e é sobre as palavras que a gente diz quando está no desespero, o Jeff Té não era um homem mal, ele era um homem que queria muito uma coisa, e no medo, na ansiedade, ele fez uma promessa enorme, rápida, sem pensar nas consequências, achando que estava sendo generoso com Deus, quando na verdade estava sendo imprudente, e acho que isso fala com a gente de um jeito mais simples do que parece, porque a gente também faz isso, não com guerras, mas com palavras, quando a gente está desesperado, com medo, querendo muito que algo dê certo, a gente promete coisas grandes demais, se isso der certo eu prometo que faço aquilo, se sair desse aperto eu juro que nunca mais, a gente joga promessas no ar pra tentar controlar o que não está na nossa mão, e o que essa história mostra, do jeito mais duro possível, é o peso das palavras, o perigo de prometer no calor do momento uma coisa que a gente não pensou direito, aqui vai uma coisa pra hoje, repara, só hoje, nas promessas que você faz quando está ansioso, aquelas frases que escapam no desespero, eu juro que, se isso acontecer eu prometo, vá te deixar que eu faço, não é pra você parar de prometer, é só pra reparar numa coisa, antes de uma palavra grande sair da sua boca no calor do momento, dá pra respirar um cis, só um, e perguntar, eu estou falando isso porque é verdade, ou porque estou desesperado pra que algo dê certo, porque a história do jeft é dura, mas talvez ela exista pra isso, pra que a gente aprenda, com a dor dele, a tomar mais cuidado com o peso das nossas próprias palavras, e pra que a gente lembre daquela menina, que não fez nada de errado, e que só saiu de casa, dançando feliz porque o pai tinha voltado.