A sua mente agora mesmo está pensando em pelo menos três coisas ao mesmo tempo, o que você vai fazer depois. Algo que aconteceu ontem. Se você está ouvindo isso do jeito certo, e enquanto isso, a vida está acontecendo. Agora, aqui, Buda chamou isso de estar dormindo acordado. E hoje a gente fala das duas partes do nobre caminho óctupo que tratam diretamente disso. O esforço correto e a atenção correta. Começa pelo esforço correto. Esforço correto não é se esforçar mais. Não é trabalhar mais horas, meditar mais tempo, ser mais disciplinado, acordar mais cedo. A maioria das pessoas quando ouve a palavra esforço pensa em força.
Em pressão. Em empurrar mais. Buda estava falando de algo diferente. Ele estava falando de direção. Esforço correto é colocar energia na direção certa. Não qualquer energia. Não energia de qualquer jeito. Energia consciente aplicada com intenção. Ele descreveu quatro tipos. O primeiro é não deixar entrar na mente pensamentos que criam sofrimento. Não é reprimir. Não é fingir que não existem. É não alimentar. É não sentar com o pensamento ruim e ficar mastigando ele por horas. O segundo é soltar os pensamentos ruins que já entraram. Quando você perceber que está num loop de raiva, de ansiedade, de julgamento, não brigar com o loop, só parar de alimentar ele, como parar de jogar lenha no fogo, ele apaga sozinho.
O terceiro é cultivar pensamentos que fazem bem. Gratidão, compaixão, curiosidade, leveza, não de forma forçada, mas criar condições para que esses estados apareçam com mais frequência. O quarto é manter e fortalecer esses estados quando eles aparecem. Quando você sentir uma leveza genuína, quando sentir bondade real, quando sentir presença de verdade, não deixar escapar sem perceber, reconhecer, ficar um pouco mais com aquilo, esforço correto é jardinagem, não construção, você não força uma flor a crescer, você cria as condições certas e deixa, agora, a atenção correta.
Essa é considerada por muitos professores budistas como a parte mais poderosa do caminho inteiro. Atenção correta em pale se chama sati. É de onde vem a palavra mindfulness que você provavelmente já ouviu por aí. Mas a atenção correta é mais simples do que qualquer curso de mindfulness vai te fazer acreditar. É só isso, saber o que está acontecendo enquanto está acontecendo, quando você está com raiva, saber que está com raiva, não ser a raiva, saber que ela está lá, quando você está com medo, saber que está com medo, observar o medo em vez de ser engolido por ele, quando você está feliz, saber que está feliz, realmente perceber, em vez de deixar o momento passar sem notá-lo.
Ruda descreveu quatro áreas onde praticar essa atenção. O corpo, as sensações físicas, a atenção no ombro, o coração acelerado, o estômago que aperta quando você está nervoso. O corpo está sempre avisando coisas que a mente ainda não processou, as sensações em geral. Se o que você está vivendo agora parece agradável, desagradável ou neutro, só nomear isso já cria uma pequena distância entre você e a experiência. E essa distância é onde a liberdade começa, os estados da mente. Você está agitado ou tranquilo, focado ou disperso, aberto ou fechado, só observar sem julgamento, os fenômenos da mente, os pensamentos que surgem e passam, as histórias que a mente conta, os padrões que se repetem, a chave da atenção correta é uma só, observar sem reagir imediatamente.
Não é passividade, é pausa, é o espaço de um centro e o que acontece e o que você faz com o que acontece. Victor Frankl, um psicólogo que sobreviveu aos campos de concentração, disse uma vez que entre o estímulo e a resposta existe um espaço e que nesse espaço está a nossa liberdade. Duda disse a mesma coisa dois mil e quinhentos anos antes. A tensão correta é treinar esse espaço. Como usar isso hoje? Hoje, escolha uma atividade que você faz no automático. Pode ser escovar os dentes, tomar banho, caminhar até o carro e durante essa atividade, só essa tente realmente prestar atenção, a temperatura da água, o cheiro do sabonete, o barulho dos seus passos, não para relaxar, não para meditar formalmente, só para praticar saber o que está acontecendo enquanto está acontecendo.
Esse é o menor exercício de atenção correta possível. E é por ele que começa tudo.