Caim e Abel — o primeiro irmão · Gênesis 4:1–26

A Biblia · Temporada 1 · Episódio 4 de 37 — em ordem cronológica

O primeiro assassino da história não era um monstro. Ele matou por um sentimento que, talvez, você sinta hoje.

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Transcrição

O primeiro assassino da história não era um monstro, era um irmão. E ele matou por um motivo que você provavelmente já sentiu pelo menos uma vez na vida. Adão e Eva saíram do jardim e a vida continuou. Eva ficou grávida e teve um filho, chamou-o de Caim. Depois teve outro, chamou-o de Abel. Os dois cresceram juntos, dois irmãos, filhos dos mesmos pais, criados no mesmo lugar. Mas escolheram caminhos diferentes. Abel criava ovelhas, Caim cultivava a terra. Com o tempo, os dois trouxeram ofertas para Deus. Caim trouxe frutos da terra, o que ele tinha plantado e colhido. Abel trouxe os primeiros e melhores filhotes do seu rebanho.

E o texto diz que Deus olhou para a oferta de Abel com agrado, mas para a oferta de Caim não olhou da mesma forma. O texto não explica exatamente porquê. Muitos estudiosos dizem que estava na qualidade da oferta. Abel trouxe o melhor que tinha, os primeiros, os mais gordos. Caim trouxe frutos, mas o texto não diz que eram os melhores. Outros dizem que estava no coração de quem oferecia. De qualquer forma, o resultado foi esse. Abel foi aceito, Caim não. E Caim ficou com raiva. O texto diz que o rosto dele caiu, que a raiva apareceu no corpo antes de aparecer em palavras. E Deus viu isso e foi falar com Caim.

Por que você está com raiva? Por que o seu rosto caiu? Se você fizer o bem, não será aceito também, mas se não fizer o bem, o pecado está a sua porta, ele quer te dominar, mas você pode não deixar entrar. Caim não ouviu, foi falar com Abel. Vamos ao campo, disse, e quando os dois estavam no campo, Caim se levantou contra Abel e o matou. E Deus veio até Caim e perguntou, onde está seu irmão Abel? Caim respondeu com uma pergunta de volta. Não sei, sou eu o guarda do meu irmão? Essa frase ficou na história da humanidade para sempre. Sou eu o guarda do meu irmão? A resposta que Deus deu, sem palavras, com tudo que vem depois dessa história, é sim, você é.

E Deus disse a Caim, o que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra. E agora você será amaldiçoado, a terra que absorveu o sangue do seu irmão não vai mais produzir para você, você vai andar errante pela terra sem ter para onde ir. Caim ouviu isso e disse algo inesperado, disse que o castigo era grande demais para suportar, que ficaria errante e que qualquer um que o encontrasse poderia matá-lo. Não havia remorso pelo que fez, havia medo pelo que poderia acontecer com ele. E mesmo assim, Deus fez algo surpreendente. Colocou uma marca em Caim para que ninguém que o encontrasse o matasse.

Mesmo depois do assassinato, mesmo depois da mentira, mesmo depois da falta de arrependimento real, Deus ainda protegeu Caim. Caim foi embora, foi para uma terra chamada Nod, a leste do Eden. Se casou, teve filhos, construiu uma cidade. A vida continuou e o texto termina com Eva tendo outro filho, chamou de sete e disse que Deus havia colocado outra semente no lugar de Abel. A história não termina com o assassinato, termina com um novo começo. Agora o que essa história tem a ver com a sua vida hoje? A raiva de Caim não veio do nada, veio da comparação. Ele olhou para o irmão, viu que o irmão foi aceito e ele não, e em vez de perguntar o que poderia fazer diferente, decidiu eliminar o que causava a comparação.

É a lógica mais destrutiva que existe. Em vez de crescer, eliminar o que faz você se sentir pequeno. Em vez de melhorar, destruir o que te faz parecer pior. Você não precisa ser físico, pode ser uma fofoca, pode ser sabotar alguém, pode ser torcer para que o outro fale. O resultado é sempre o mesmo que o de Caim. Você fica mais só, e a terra ao redor de você para de produzir. Deus avisou Caim antes de tudo dar errado, o pecado está à sua porta, você pode dominá-lo. Essa frase vale para hoje. Quando você sentir aquela raiva que vem da comparação, quando sentir que o sucesso do outro diminui o seu, quando o rosto cair como cair o de Caim, pause.

E se pergunte, o que eu posso fazer diferente? Não o que o outro fez de errado, o que eu posso fazer diferente? É a única pergunta que abre uma porta em vez de fechar uma.