Tudo o que você ama vai acabar. A fase boa que você está vivendo agora. A pessoa que você mais gosta. O corpo que você tem hoje. O momento em que você está agora ouvindo isso. Tudo vai passar. E Buda disse que a maioria do sofrimento humano vem de uma única coisa. A gente sabe disso e age como se não soubesse. Hoje a gente fala de Anika, a impermanência. Essa é considerada uma das três verdades mais fundamentais do budismo. E é a mais fácil de entender com a cabeça e a mais difícil de realmente sentir no corpo. Vamos começar pelo óbvio. Tudo muda. O tempo muda. As estações mudam.
As pessoas mudam. Os relacionamentos mudam. O seu humor muda. O seu corpo muda. Os seus pensamentos mudam. As vezes de um mim para o outro. Você não é a mesma pessoa que era há dez anos. Nem há dez mim. As células do seu corpo são trocadas constantemente. Os pensamentos que você tinha quando começou a ouvir esse episódio já passaram e vieram outros. Tudo está em movimento. O tempo todo. Isso parece óbvio. E é. Então por que a gente sofre tanto quando as coisas mudam? Buda tinha uma resposta muito clara para isso. Porque a gente tenta segurar o que não pode ser segurado. Pensa numa onda no mar.
Ela é linda. Você está olhando para ela e pensa. Que onda perfeita. E no momento em que você pensa isso, ela já começou a quebrar. Você não pode guardar a onda. Você não pode pausar ela. Você não pode fazer ela durar mais do que o tempo que ela vai durar. O que você pode fazer é apreciar ela enquanto existe. Mas a mente humana não faz isso naturalmente. A mente humana vê a onda bonita e pensa. Como eu guardo isso? Como eu faço isso durar? O que acontece quando acabar? E enquanto pensa nisso, a onda passou. E você não estava presente para ela. Isso é o que a Nica tenta nos ensinar.
Não que as coisas boas vão acabar para te deixar triste. Mas que as coisas boas existem agora para você estar presente nelas. Agora tem uma parte de a Nica que a maioria das pessoas ignora porque foca só no lado triste. A impermanência também vale para as coisas ruins. A dor que você está sentindo agora vai passar. A fase difícil vai mudar. O sentimento pesado que parece permanente não é? Nunca foi. Nenhum estado dura para sempre. Quando você está no fundo de um momento difícil, a mente faz uma coisa cruel. Ela projeta aquele estado para o futuro todo. Ela diz "vai ser sempre assim".
Isso não vai mudar. A Nica diz "vai mudar". Sempre muda. Sempre mudou. Não como promessa vazia de que vai ficar bem, mas como observação honesta da realidade. Nada fica igual. Nem o sofrimento. Duda contou uma história sobre um rei que estava sofrendo muito. Ele chamou um sábio e pediu algo que pudesse ajudá-lo em todos os momentos. Nos momentos de glória para não ficar arrogante. Nos momentos de dor para não desesperar. O sábio pensou por um tempo e entregou ao rei um anel. Gravado no anel estava escrito. Isso também vai passar. A Nica, em quatro palavras. Nos momentos bons, lembra que isso também vai passar.
Então aprecie agora. Nos momentos ruins, lembra que isso também vai passar. Então respira. Tem uma última coisa sobre impermanência que Buda enfatizou muito. A impermanência não é uma coisa triste que você precisa aceitar com resignação. É uma coisa libertadora. Se tudo muda, então você também pode mudar. Os seus padrões podem mudar. Os seus hábitos podem mudar. A forma como você responde às coisas pode mudar. Você não está preso em quem você foi ontem. Isso é a Nica também. Como usar isso hoje? Hoje, quando algo bom acontecer, mesmo que pequeno, pause por dois esses e pense.
Isso existe agora. Só isso. Estou aqui para isso agora. E se algo difícil aparecer, pause e pense. Isso também vai passar. Não sei quando, mas vai. Não precisa acreditar de verdade ainda. E ainda, só experimenta pensar assim e observa o que muda quando você faz isso.